Coinfecção e infecção sequencial entre dengue e Covid-19: análise de casos e evolução do quadro clínico

As doenças causadas pelos vírus DENV e SARS-CoV-2 trazem uma enorme sobrecarga aos serviços de saúde pelo grande número de atendimento, internação e óbitos. Nos últimos anos a ocorrência da circulação simultânea destes dois vírus trouxeram diversos questionamentos quanto as consequências e a capacid...

Full description

Bibliographic Details
Author: Gentil, Danielle Cristina Dacanal
Format: master thesis
Status:Published version
Publication Date:2024
Country:Brasil
Institution:Universidade de São Paulo (USP)
Repository:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-22112024-161554
Online Access:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde-22112024-161554/
Access Level:Open access
Keyword:Coinfecção
Coinfection
Covid-19
Dengue
Enfermagem em saúde pública
Public health nursing
Public health surveillance
Vigilância em saúde pública
Description
Summary:As doenças causadas pelos vírus DENV e SARS-CoV-2 trazem uma enorme sobrecarga aos serviços de saúde pelo grande número de atendimento, internação e óbitos. Nos últimos anos a ocorrência da circulação simultânea destes dois vírus trouxeram diversos questionamentos quanto as consequências e a capacidade de interação entre elas. Diante disso, este estudo objetivou analisar a ocorrência e desfechos dos quadros clínicos de coinfecção e infecção sequencial por estas duas doenças, a dengue e a covid-19, em um município do interior paulista. Trata-se de um estudo transversal, que utilizou análise de dados secundários através das fichas de notificações compulsórias realizadas. Assim, foram identificados 99 casos que apresentaram confirmação de exame laboratorial para ambas as doenças, em um intervalo de até 30 dias, no período de 2020 a 2022. A maioria dos casos identificados pelo estudo foi do sexo masculino (52,7%), na faixa etária de 15 a 59 anos (66,7%), sem comorbidades relatadas (78,8%), houveram casos distribuídos por todos os distritos de saúde do município. A taxa de hospitalização encontrada foi de 20,2% e 55% destes casos hospitalizados necessitaram de suporte de leito de UTI, apresentando uma letalidade de 4%. Quando utilizado testes estatísticos identificamos que as variáveis Sexo (p=0,003), Faixa etária (p<0,001), Comorbidades (p<0,001), Quantidade de comorbidades (p<0,001), Diabetes (p=0,048), Doença Renal (p<0,001) e Doença autoimune (p=0,014), apresentaram alguma associação importante com o desfecho clínico destes pacientes. Estas análises permitiram identificar que a maior parte dos casos do sexo feminino (91,5%) apresentaram cura sem necessidade de hospitalização, quando comparadas com o sexo masculino (69,2%). Quanto a faixa etária, o grupo de indivíduos dos menores de 15 anos (50%) e acima de 60 anos (41,5%) apresentaram as maiores taxas de internação, no entanto, todos os óbitos se encontravam na faixa etária acima de 60 anos. Os casos sem comorbidades prévias (91%) tiveram uma alta taxa de cura sem hospitalização, e grande parte dos casos com comorbidades prévias (61,9%) foram hospitalizados. Os casos que apresentavam uma (55,6%) ou nenhuma (91%) comorbidade prévia apresentaram melhores evoluções comparados a pacientes com duas (25%) ou três (25%) comorbidades associadas. Os achados do presente estudo são importantes principalmente para sensibilização dos profissionais de saúde na identificação precoce dos casos de coinfecção ou infecção sequencial e com potencial agravamento, para o monitoramento mais próximos desses pacientes a fim evitar a hospitalização e evoluções desfavoráveis.