Proteínas salivares de insetos hematófagos na patogênese do pênfigo foliáceo em amostragem brasileira
Introdução. Os pênfigos representam um grupo de dermatoses bolhosas autoimunes caracterizados pela produção de autoanticorpos contra as desmogleínas (Dsg). O pênfigo foliáceo (PF) decorre da produção de autoanticorpos contra Dsg1. No Brasil, o PF é descrito em focos geográficos definidos: áreas rura...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | tesis doctoral |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2020 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:teses.usp.br:tde-20052020-090642 |
| Acceso en línea: | http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-20052020-090642/ |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Culicidae Desmogleina Desmogleína Diptera Pemphigus foliaceus Pênfigo foliáceo Psychodidae Simuliidae |
| Sumario: | Introdução. Os pênfigos representam um grupo de dermatoses bolhosas autoimunes caracterizados pela produção de autoanticorpos contra as desmogleínas (Dsg). O pênfigo foliáceo (PF) decorre da produção de autoanticorpos contra Dsg1. No Brasil, o PF é descrito em focos geográficos definidos: áreas rurais próximas de bacias hidrográficas. Considerando essa distribuição, tem-se aventado a hipótese de que fatores ambientais, aliados à associação de alelos HLA, tenham papel na sua endemicidade, interrogando-se a participação de insetos hematófagos na etiopatogênese do PF. Objetivos. Verificar a participação das proteínas salivares de insetos hematófagos na etiopatogênese do PF em amostragem da região nordeste do estado de São Paulo (NESP), Brasil. Como objetivos específicos: (i) documentar a relação epidemiológica (fator de risco/doença) das principais espécies de insetos antropofílicos com a distribuição geográfica dos casos de PF no NESP; (ii) avaliar a resposta imune humoral IgG em pacientes com PF e controles contra extratos proteicos salivares (EPS) de Aedes aegypti, Nyssomyia neivai e Simulium nigrimanum, e contra as proteínas salivares maxadilan (expressa em Lutzomyia longipalpis e N. neivai) e LJM11 (expressa em Lu. longipalpis), e correlacionar essas respostas com os títulos anti-Dsg1; (iii) quantificar o IgE total e anti-IgE contra ESP dos insetos citados, em pacientes com PF e controles, e (iv) descrever o sialoma de N. neivai. Métodos. Os dados dos casos de PF e das principais espécies hematófagas do NESP foram registrados em mapas de distribuição espacial (ArcGIS v10.2). Para a detecção de anticorpos séricos (IgG e IgE) contra os EPS realizou-se ELISA in-house seguida de immunoblotting (IB). A dosagem de IgE total foi realizada pelo kit ImmunoCAPTM Total IgE segundo as instruções da fabricante. Para a detecção de anticorpos séricos (IgG) contra maxadilan e LJM11 também usou-se ELISA in-house. A quantificação de anticorpos anti-Dsg1 foi feita por ELISA comercial (MBL, Japão). A descrição do sialoma foi realizada com tecnologia Illumina RNA seq. A análise estatística para cada objetivo foi feita com testes não paramétricos. Resultados. Houve confirmação entre a distribuição geográfica dos insetos hematófagos S. nigrimanum e Nyssomyia neivai com os casos de PF registrados no NESP, confirmando elo epidemiológico. Pacientes com PF apresentaram maiores títulos de anticorpos IgG contra EPS de S. nigrimanum (P<0.001) e de N. neivai (P<0.050), comparados aos controles, porém sem diferença em relação ao EPS de A. aegypti (P=0.469). Os pacientes com PF apresentaram maiores níveis de IgE total em comparação aos controles (P<0.001). Títulos de anticorpos contra EPS de S. nigrimanum e N. neivai correlacionaram-se com os títulos de anti-Dsg1 no grupo PF (r=0.384, P=0.039 e r=0.416, P=0.022, respectivamente). Títulos de anticorpos IgE contra EPS de A. aegypti, S. nigrimanum e N. neivai correlacionaram-se com títulos de IgE total no grupo PF; e maiores títulos IgE contra EPS de N. neivai e A. aegypti foram observados no grupo PF, em comparação aos controles (P<0.001 ambos). Anticorpo IgE contra EPS de N. neivai evidenciaram uma correlação positiva com os títulos de anti-Dsg1 no grupo PF (P=0.077). Frações proteicas de EPS foram reconhecidas pelos pacientes com PF e controles no IB, sendo que PF reconheceram principalmente frações proteicasmenores de 60kDa do EPS S. nigrimanum e entre 5-10kDa do EPS de N. neivai. Ainda, maiores títulos de IgG anti-maxadilan, mas não anti-LJM11, foram identificados no grupo PF comparado aos controles (P<0.001). Títulos de IgG anti-maxadilan correlacionaram-se com títulos de IgG antiESP de N. neivai, assim como com anti-Dsg1 no grupo PF. Conclusão. Um link epidemiológico entre a distribuição dos casos de PF e das espécies S. nigrimanum e N. neivai foi confirmado no NESP. A exposição à picada desses insetos foi confirmada pela produção de anticorpos da classe IgG e IgE, com reconhecimento de várias frações proteicas do EPS, sugerindo a participação de diversos peptídeos salivares de insetos hematófagos na etiopatogênese do PF. Ainda, a correlação dos anticorpos anti-ESP e anti-maxadilan com anti-Dsg1 mostra possível mimetismo molecular, e participação das proteínas salivares na patogênese do PF no NESP. |
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