A austeridade como sustentáculo político do capitalismo moderno
A austeridade não é uma ideia recente nem exclusiva da era neoliberal. Suas raízes são as mesmas raízes do liberalismo econômico clássico, no qual o mercado é concebido como um sistema autônomo e autorregulado e que qualquer alternativa é considerada antieconômica. Desde sua origem, a austeridade fo...
| Autor: | |
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| Formato: | tesis de maestría |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2025 |
| País: | Brasil |
| Recursos: | Universidade Estadual Paulista (UNESP) |
| Repositorio: | Repositório Institucional da UNESP |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:repositorio.unesp.br:11449/296200 |
| Acesso em linha: | https://hdl.handle.net/11449/296200 |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palavra-chave: | Austeridade Tecnicidade Liberalismo Fascismo Nazismo Austerity Technicality Liberalism Fascism and Nazism |
| Resumo: | A austeridade não é uma ideia recente nem exclusiva da era neoliberal. Suas raízes são as mesmas raízes do liberalismo econômico clássico, no qual o mercado é concebido como um sistema autônomo e autorregulado e que qualquer alternativa é considerada antieconômica. Desde sua origem, a austeridade foi promovida não apenas como uma medida econômica, mas também como um princípio moral, onde o sacrifício presente se justificaria por benefícios futuros. Com o tempo, essa visão se consolidou como uma abordagem “técnica”, “objetiva” e “virtuosa” da economia, separando-a de qualquer questão ética, social ou política, reforçando, assim, a noção de interferências estatais ou sociais comprometeriam a eficiência do mercado. Entretanto, nessa pesquisa, a austeridade é definida de um modo diferente do que o habitual, pois será analisada através de uma perspectiva classista. Dessa forma, ela não será analisada como uma resposta às crises econômicas, a qual busca equilibrar as contas públicas e reduzir déficits fiscais, mas como uma ferramenta política e ideológica que serve aos interesses das classes dominantes. Assim sendo, o objetivo final da austeridade não seria o de resolver crises econômicas, mas o de consolidar a hierarquia social, econômica e política do capitalismo às custas do nível e da qualidade de emprego. O discurso austero, visto por essa ótica, perde o seu caráter “técnico”, “objetivo”, “neutro”, “apolítico” e de alheidade à sociedade ao seu redor, pois passa a ser entendido como um projeto de classe criado pelas elites com o intuito de barrar o avanço das demandas populares por direitos sociais e redistribuição de riqueza, independente do período histórico analisado. Desse modo, ao retirar a tecnicidade do discurso, a austeridade perde o véu que lhe garantia o status da virtuosidade, demonstrando como, historicamente, ela foi utilizada como elemento central das maiores barbáries que existiram no século XX. |
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