Produção científica sobre gênero em orientação profissional: uma análise das publicações da Revista Brasileira de Orientação Profissional

Tradicionalmente, a orientação profissional se ocupou de cuidar das carreiras masculinas, foi concebida e escrita por homens universitários brancos de classe média para homens brancos de classe média. Nos dias atuais, as teorias desenvolvidas neste campo são carentes de estudos sobre outras classes...

Full description

Bibliographic Details
Author: Paiva, Mariana Marzoque de
Format: master thesis
Status:Published version
Publication Date:2019
Country:Brasil
Institution:Universidade de São Paulo (USP)
Repository:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-18092019-170630
Online Access:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-18092019-170630/
Access Level:Open access
Keyword:Aconselhamento de carreira
Career choice
Gender
Gênero
Mulheres
Orientação profissional
Orientação vocacional
Professional orientation
Vocational counseling
Women
Description
Summary:Tradicionalmente, a orientação profissional se ocupou de cuidar das carreiras masculinas, foi concebida e escrita por homens universitários brancos de classe média para homens brancos de classe média. Nos dias atuais, as teorias desenvolvidas neste campo são carentes de estudos sobre outras classes sociais e especialmente, para o público feminino. A participação da mulher no mundo do trabalho é uma questão social relevante, devido a barreiras culturais que ainda persistem, e a uma divisão sexual do trabalho que lhes atribui às funções de cuidado e reprodução social na esfera doméstica, que não são consideradas trabalho. A psicologia tem se aproximado dos estudos de gênero na compreensão dos fenômenos sociais que secularmente foram estruturados dentro de uma sociedade patriarcal que se apresenta misógina e heteronormativa. O desafio proposto nesta dissertação foi o de investigar na literatura como as questões de gênero estão sendo retratadas na orientação profissional e de carreira pela psicologia nos periódicos publicados na Revista Brasileira de Orientação Profissional, compreender onde estão as lacunas e como elas são percebidas pela comunidade acadêmica das ciências psicológicas. Trata-se de uma orientação profissional compromissada do ponto de vista político e ético, que fundamenta suas análises com vistas para as as questões de gênero? Buscou-se superar as concepções tradicionais da psicologia positivistas e suas ortodoxias, aproximando-se da Psicologia Feminista e suas discussões de gênero que compreendem os fenômenos sociais como construções sociais, históricas e culturais estabelecidas, em uma sociedade marcada pela desigualdade nas relações entre os homens e mulheres. Foram 29 números da revista publicados semestralmente entre os anos de 2003 e 2017, totalizando 335 textos publicados, destes, apenas 12 publicações relacionam Gênero com a Orientação Profissional. Os artigos foram analisados na íntegra com base em alguns critérios e subdividos em três categorias, a saber: Gênero: o feminino versus o masculino; em Gênero: intervenções sistêmicas, Gênero: conciliação família-trabalho. Podemos afrmar, com base na análise dos artigos, que foram constatadas investigações compromissadas com a emancipação das mulheres em seu desenvolvimento profissional e acadêmcio, em especial, os estudos qualitativos apresentaram em suas pesquisas preocupações com a prática da Orientação Profissional dirigida às meninas e mulheres. Todavia, foi observado estudos empíricos que embora tenha trazidos comparações entre jovens e moças em seus resultados investigativos, não fundamentou suas análises com vistas para as as questões de gênero; na ocasião o foco desta/es pesquisadores demonstraram estar voltados para a validação de um instrumento ou caracterização do público atendido. Concluiu-se que a Orientação Profissional é relevante para a carreira de todas as mulheres e o papel da/os profissionais desta área específica da Psicologia que discute, pesquisa e atua no trabalho e nas carreiras profissionais, tem como responsabilidade, defender e propor práticas que promovam a justiça social equidade de gênero