A vergonha nos Diálogos de Platão
O objetivo deste estudo é analisar como a noção de vergonha (aidôs / aischunê) é concebida nos Diálogos de Platão. Embora seja difícil delimitar passagens no corpus em que haja um tratamento sistemático do conceito, as alusões à vergonha permeiam o texto platônico. O vocabulário relacionado, que inc...
| Autor: | |
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| Tipo de documento: | tese |
| Estado: | Versão publicada |
| Data de publicação: | 2023 |
| País: | Brasil |
| Recursos: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositório: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Idioma: | português |
| OAI Identifier: | oai:teses.usp.br:tde-14082023-121732 |
| Acesso em linha: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-14082023-121732/ |
| Access Level: | Acceso aberto |
| Palavra-chave: | Aidôs Aischunê Elenchos Mimêsis Moral psychology Platão Plato Psicologia Psicologia moral Psychology Shame Tripartição da alma Tripartition of the soul Vergonha |
| Resumo: | O objetivo deste estudo é analisar como a noção de vergonha (aidôs / aischunê) é concebida nos Diálogos de Platão. Embora seja difícil delimitar passagens no corpus em que haja um tratamento sistemático do conceito, as alusões à vergonha permeiam o texto platônico. O vocabulário relacionado, que inclui, por exemplo, o adjetivo aischron (feio/vergonhoso), figura frequentemente nos argumentos discutidos por Sócrates e seus interlocutores. O próprio elenchos muitas vezes resulta na vergonha dos personagens cujas posições estão sendo examinadas, como é representado no proeminente caso do Górgias. E nas discussões de psicologia moral, vislumbra-se um papel de importância para a vergonha: na tripartição da alma na República, essa emoção caracteriza uma parte da alma, o thumos, como distinta da parte racional e da parte apetitiva. O nosso estudo conjuga esses diferentes elementos dispersos nos Diálogos para compreender como Platão concebia a vergonha, situando o seu papel em meio aos demais conceitos-chave e teorias nas reflexões psicológicas, epistemológicas e políticas. Para isso, utilizamos uma abordagem que associa os argumentos formulados explicitamente com aquilo que chamamos de elementos dramáticos do texto, que consistem nas indicações oferecidas pela caracterização e pelo comportamento dos personagens em interação. Ao ler os diálogos desse modo, emerge e se complexifica a visão de Platão sobre a vergonha: ao mesmo tempo, uma disposição da alma que conecta a pessoa ao seu entorno e uma emoção moral que intermedeia a relação entre cognição e prazer. |
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