Avaliação do valor prognóstico da elastografia hepática transitória em pacientes com hepatite C crônica com ou sem coinfecção pelo HIV pós-resposta virológica sustentada

Introdução: A elastografia hepática transitória (EHT) é uma alternativa extensamente validada à biópsia hepática para estadiamento da fibrose hepática na hepatite C crônica. Nos últimos anos, o tratamento da hepatite C foi revolucionado pelo uso dos antivirais de ação direta (direct-acting agents, D...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Barrocas, Juliana Baptista Piedade
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2021
País:Brasil
Institución:Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)
Repositorio:Repositório Institucional da FIOCRUZ (ARCA)
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:arca.fiocruz.br:icict/62718
Acceso en línea:https://arca.fiocruz.br/handle/icict/62718
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Hepatite C
Hepatites Virais
Resposta Virológica Sustentada
Antivirais de Ação Direta
Elastografia Hepática Transitória
Baveno VI
cACLD
Hepatitis C
Viral Hepatitis
Sustained Virological Response
Direct-acting Antivirals
Liver Stiffness Measurement
Hepatite C Crônica
Resposta Viral Sustentada
Antivirais
Técnicas de Imagem por Elasticidade
Descripción
Sumario:Introdução: A elastografia hepática transitória (EHT) é uma alternativa extensamente validada à biópsia hepática para estadiamento da fibrose hepática na hepatite C crônica. Nos últimos anos, o tratamento da hepatite C foi revolucionado pelo uso dos antivirais de ação direta (direct-acting agents, DAA). Estudos sugerem que pacientes com doença hepática avançada compensada (compensated advanced chronic liver disease, cACLD, definida por EHT ≥10 kPa) pré-tratamento permanecem sob risco de desenvolver complicações hepáticas mesmo após a resposta virológica sustentada (RVS). Recentemente a regressão significativa dos níveis de EHT em pacientes com hepatite C pós-RVS vem sendo descrita. O significado clínico desta regressão, assim como seu valor prognóstico ainda são temas controversos e precisam ser estudados. Objetivos: Avaliar o valor prognóstico da redução da EHT em pacientes com hepatite C crônica após RVS e identificar os fatores de risco associados à incidência de desfechos clínicos graves após erradicação viral. Métodos: Estudo retrospectivo que incluiu adultos com hepatite C com EHT ≥ 10kPa tratados em dois centros terciários do Rio de Janeiro entre Outubro/2015 e Novembro/2019. RVS foi definida por HCV RNA indetectável pelo menos 12 semanas após final do tratamento. A coleta de dados foi realizada a fim de identificar complicações hepáticas (ascite, hemorragia digestiva varicosa, encefalopatia hepática e carcinoma hepatocelular) ou óbito durante acompanhamento. Curvas de Kaplan-Meier e modelos estatísticos tempo dependentes (modelos de Cox) foram realizados para avaliação do valor prognóstico da EHT e identificação dos fatores associados com desfechos Resultados: 1131 indivíduos foram tratados. Pacientes foram excluídos por falha terapêutica (n=26), óbito antes da avaliação de RVS (n=5), perda de seguimento (n=87), ausência de dados sobre RVS (n=26), descompensação hepática prévia (n=120), ausência de EHT pré-tratamento e pós-RVS (n=110) e EHT< 10kPa pré-tratamento (n=301). O total de 456 pacientes [65% sexo feminino, 62 anos (IQR, 57-68), 5.5% coinfectados pelo HIV e 88.6% infectados pelo genótipo 1] foi incluído. Em um seguimento de 2,3 anos (IQR, 1,6-2,7), 28 pacientes desenvolveram 37 desfechos clínicos graves [taxa de incidência 29,0 (IC95%, 20,0-42,0) por 1000 pessoas-ano]. A incidência cumulativa de desfechos clínicos graves foi significativamente menor nos pacientes com regressão da EHT ≥ 20% durante o seguimento pós RVS [3,4% (IC95%, 1,8-7,0) vs. 9,0% (5,5-14,5), p=0,010]. Na análise multivariada, sexo masculino [HR=3,00 (IC95%, 1,30-6,95), p=0,010], albumina sérica basal < 3,5mg/dL [HR=4,49 (IC 95%, 1,95-10,34), p<0,001] e critério de Baveno VI desfavorável pré-tratamento [HR=4,72 (IC95%, 1,32-16,83)] associaram-se de forma independente a um maior risco de desfechos clínicos graves em pacientes com cACLD. Neste modelo multivariado a redução da EHT ≥ 20% após RVS apresentou uma tendência a reduzir o risco dos desfechos estudados [HR=0,45 (IC95%, 0,21-1,02), p=0,058]. Conclusões: Hipoalbuminemia e presença de critério de Baveno VI desfavorável pré-tratamento associaram-se a um maior risco de complicações hepáticas em pacientes com cACLD após RVS. A redução da EHT ≥ 20% pós RVS parece estar associada com redução do risco de desenvolvimento de desfechos clínicos graves nesta população. O uso de parâmetros simples pré-tratamento e a repetição da EHT pós RVS permitem a estratificação de pacientes após a erradicação viral