À roda da eternidade: o elogio da morte e outros discursos sobre finitude na oratória de Antônio Vieira
Esta tese centra-se no exame da sermonística de Antônio Vieira, considerando-a um retrato textual da temática da morte, uma espécie de matriz discursiva da parenética luso-brasileira imersa na pastoral católica e, por isso, fundamentada no medo e na culpa, amplamente disseminados no contexto trident...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | tesis doctoral |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2021 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:www.bdtd.uerj.br:1/16730 |
| Acceso en línea: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/16730 |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Death Rhetoric Seventeenth century Morte Retórica fúnebre Antônio Vieira Século XVII Vieira, Antônio, 1608-1697– Crítica e interpretação Morte na literatura Língua portuguesa - Retórica Vieira, Antônio, 1608–1697 – Oratória LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS |
| Sumario: | Esta tese centra-se no exame da sermonística de Antônio Vieira, considerando-a um retrato textual da temática da morte, uma espécie de matriz discursiva da parenética luso-brasileira imersa na pastoral católica e, por isso, fundamentada no medo e na culpa, amplamente disseminados no contexto tridentino da Colônia e da Europa. Especificamente, buscou-se analisar como o tema da ars moriendi, reconfiguradamente, poderia ser considerado o epicentro da oratória vieiriana, cuja finalidade seria conduzir o fiel à boa morte. A contrapelo da ideia de “elogio” aplicada engenhosamente no texto de Erasmo de Roterdã sobre a loucura, aqui o elogio tem o sentido de revelação da importância da “arte de morrer”, um encômio desse tópos que, no caso da obra vieiriana, sugeriria uma abertura para uma multifacetada oratória justificada pelos interesses teológico-políticos de seu tempo, porém fundamentada no repertório monumental das tradições clássicas. O propósito deste trabalho fixa-se nas cenas configuradoras do discurso do memento mori na obra de Vieira – cenas das pregações à corte, a indígenas e a africanos escravizados – que assimila e reatualiza uma tradição discursiva fúnebre, uma didática da morte constituída pelos preceitos retóricos, poéticos e éticos que remontam à tradição pagã clássica e às teorias dogmáticas da Patrística e da Escolástica, divulgadas, teorizadas e recuperadas nas malhas do pensamento teológico e filosófico do tempo histórico seiscentista. Em paralelo a isso, porém sem abrir mão de fazer convergir esse fluxo de questões, esta tese comentará, finalmente, a diferença, nas pregações que o inaciano português realiza para e sobre os seus diversificados públicos (letrados, colonos, indígenas, africanos), quando adapta ao decoro circunstancial, no tom do discurso, modulando a palavra à Palavra, a intenção à missão, o meio ao fim, para produzir uma ajustada pregação sobre a morte na qual prevalece o princípio de adequação a cada auditório mediante um contato perspectivado com o que se entende por verdade, vida e morte, à época. Em síntese, este trabalho orienta-se pelas linhas teóricas que pensam arqueologicamente os pressupostos retórico-poéticos, teorias as quais buscam compreender o tempo em foco a partir dos seus próprios instrumentos de produção discursiva, absolutamente dominados por Vieira. Pregador icônico de seu tempo, o inaciano em foco pregou a morte ajustada às casualidades políticas e teológicas, concedendo, repreendendo e convencendo a quem fosse necessário, como manda o decorum, para manter estável a natural desigualdade que marca o histórico das relações assimétricas constituidoras da sociedade do Antigo Regime português |
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