DA LAPA AO PELOURINHO: ONDE VIVE A MALANDRAGEM? O SURGIMENTO DO PERSONAGEM MALANDRO E SUA COMPARAÇÃO NAS OBRAS DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS, DE JORGE AMADO, E A ÓPERA DO MALANDRO, DE CHICO BUARQUE

A partir de uma provocação urbana surge o questionamento acerca do típico personagem na dramaturgia nacional. Existe tal interlocutor, capaz de dar uma identidade a produção teatral de um modelo a ser replicado? A pesquisa se propõe a responder o questionamento através de um extenso aprofundamento l...

Full description

Bibliographic Details
Author: Castello Branco, Fabrício Mathias
Format: master thesis
Status:Published version
Publication Date:2023
Country:Brasil
Institution:Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Repository:Repositório Institucional da UFBA
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:repositorio.ufba.br:ri/39706
Online Access:https://repositorio.ufba.br/handle/ri/39706
Access Level:Open access
Keyword:Artes
Teatro
Dramaturgia
Malandro
Malandragem
Literatura
Personagem
Boêmia
Theater
Literature
Dramaturgy
Character
Bohemia
Description
Summary:A partir de uma provocação urbana surge o questionamento acerca do típico personagem na dramaturgia nacional. Existe tal interlocutor, capaz de dar uma identidade a produção teatral de um modelo a ser replicado? A pesquisa se propõe a responder o questionamento através de um extenso aprofundamento literário, buscando desde os primeiros registros até o desaparecimento de tal personagem. O malandro é o centro dessa dissertação e toda sua trajetória desde seu surgimento em uma Península Ibérica até sua perfeita inserção nos trópicos. Cooptado pelo comportamento brasileiro, sua difusão será amplamente abordada pelo teatro e pela literatura. Através de registros de sua circulação, identificam-se duas cidades como sendo ocupadas por sua figura. Nomeadamente, Rio de Janeiro e Salvador, cidades onde essa investigação se aplica através da observação cotidiana e inserção boêmia. A ocupação de duas cidades litorâneas de comportamentos distintos lega ao malandro a região portuária, onde toda sua possibilidade de ação se dá em excelência. Entendido como pessoa em um primeiro momento, sua transformação em personagem é inerente ao seu imaginário popular. Ganhando alcunha de adjetivo, a malandragem é narrada em modelos que se tornam clássicos na literatura, subindo aos palcos segundo a transformação social das ruas. Como crônica urbana, as dramaturgias produzidas inserem o malandro como provocador de conflitos e articulador, alheio a uma balança maniqueísta. Observando as variações políticas o malandro se transforma e se adapta para manter sua existência. Diante da exemplificação de diferentes autores, percebemos o declínio do personagem até seu definitivo desaparecimento. Provando ser o típico representante da dramaturgia nacional, dois exemplos são citados para a sugestão de um modelo de malandragem compreendida entre os ambientes de atuação. A saber, público e privado se tornam as esferas onde os personagens Vadinho de Jorge Amado e Max Overseas, de Chico Buarque eternizam a conduta arquetípica, justificando todo o aprofundamento dessa pesquisa