Associação entre asma e consumo de ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 e ômega-6 em adolescentes brasileiros

A prevalência de asma em adolescentes é elevada em nosso meio, e observa-se seu aumento nas últimas décadas. Diferentes fatores sociodemográficos e ambientais relacionados às mudanças de hábitos ocorridos no mesmo período podem estar envolvidos com este achado. Entre essas mudanças, a dieta se desta...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Jordão, Érica Azevedo de Oliveira Costa
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Institución:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:www.bdtd.uerj.br:1/23277
Acceso en línea:http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/23277
Access Level:acceso embargado
Palabra clave:Asma - Epidemiologia
Dieta - Efeitos adversos
Ácidos graxos poli-insaturados
Ômega 3
Ômega 6
Ácidos graxos insaturados - Efeitos adversos
Adolescente - Nutrição
Asthma
Diet
Polyunsaturated fatty acids
Omega-3
Omega-6
CIENCIAS DA SAUDE::MEDICINA
Descripción
Sumario:A prevalência de asma em adolescentes é elevada em nosso meio, e observa-se seu aumento nas últimas décadas. Diferentes fatores sociodemográficos e ambientais relacionados às mudanças de hábitos ocorridos no mesmo período podem estar envolvidos com este achado. Entre essas mudanças, a dieta se destaca, com maior consumo de açúcar refinado, gorduras, carnes e ultraprocessados, e consumo pouco frequente de cereais, frutas e legumes e peixes com consequente aumento na proporção de ácidos graxos poli-insaturados (PUFAS) ômega-6 (N6) em relação ao ômega-3 (N3). Estes lipídios representam os principais PUFAs na dieta. Participam na regulação da resposta imune como substrato para a formação de substâncias bioativas que atuam na resposta inflamatória. O N6 é precursor de eicosanoides com conhecida ação pró-inflamatória e os N3 precursores de mediadores lipídicos com ação imunorresolvente. Assim, uma dieta mais rica em N3 em contraposição com N6 pode ser protetora para o desenvolvimento de doenças inflamatórias crônicas como a asma. O objetivo do presente estudo foi investigar a associação entre a presença de asma, N3 e N6. Esse é um estudo transversal, utilizando os dados do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes-ERICA, inquérito nacional multicêntrico de base escolar com amostra representativa de adolescentes brasileiros (12-17 anos), cujo principal objetivo foi avaliar a prevalência de diabetes mellitus, obesidade e fatores de risco cardiovascular, bem como marcadores de inflamação e resistência à insulina nesta população. Os participantes responderam questionários com dados sociodemográficos, de atividade física, tabagismo, histórico médico e recordatório alimentar, foram submetidos a medidas antropométricas e coleta sanguíneas. Ao menos uma crise de sibilância nos últimos 12 meses definiu asma. A ingestão de ácido alfa-linolênico (ALA), ácido eicosapentaenóico (EPA), ácido docosahexaenóico (DHA) da série N3 e ácido linoléico (LA) e ácido araquidônico (ARA) da série N6 bem como a razão N6N3 (soma de LA e ARA sobre ALA, DHA e EPA) foi estimada como variáveis contínuas. A razão de chances (RC) e os respectivos IC95% entre asma e consumo de PUFA, bem como as demais variáveis do estudo, foram calculados por meio de Regressão Logística. O modelo multivariado incluiu as variáveis associadas ao desfecho e à exposição (p<0,20). Um total de 64.904 participantes preencheram o questionário, o recordatório alimentar de 24 horas e as medidas antropométricas e responderam à questão de interesse para asma. Após ajuste, a asma permaneceu significativamente associada ao ALA (RC:1,05; IC95%:1,02–1,09) e EPA (RC:0,61; IC95%:0,39–0,95), sendo a primeira associação positiva e a última negativa. Em conclusão, o consumo de ALA mostrou uma associação positiva com a asma enquanto o consumo de EPA tem um efeito protetor contra a asma em adolescentes brasileiros.