Ensaios em federalismo fiscal: efeitos da descentralização do imposto territorial rural e evidências de clientelismo

Este trabalho avalia os efeitos da descentralização do imposto sobre propriedade territorial rural – ITR da União para os Municípios, permitida por emenda constitucional em 2003, e avalia hipótese de atuação clientelista por prefeitos ligados a atividades ruralistas. O objetivo da permissão constitu...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Caldeira, Thiago Costa Monteiro
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2021
País:Brasil
Institución:Universidade Católica de Brasília (UCB)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UCB
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:bdtd.ucb.br:tede/2871
Acceso en línea:https://bdtd.ucb.br:8443/jspui/handle/tede/2871
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Tributação
Clientelismo
Descentralização
Federalismo fiscal
Fiscal federalism
Decentralization
Clientelism
Taxation
CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::ECONOMIA
Descripción
Sumario:Este trabalho avalia os efeitos da descentralização do imposto sobre propriedade territorial rural – ITR da União para os Municípios, permitida por emenda constitucional em 2003, e avalia hipótese de atuação clientelista por prefeitos ligados a atividades ruralistas. O objetivo da permissão constitucional foi aumentar a efetividade da lei do ITR, tendo em vista o histórico de sonegação e baixo esforço de arrecadação por parte da União. A partir de dados de arrecadação entre 2002 a 2017 e descentralizações ocorridas em mais de dois mil municípios brasileiros, estimou-se modelo de diferença em diferenças com múltiplos períodos de tempo. Os resultados indicam haver efeito médio de aumento entre 37,63% a 62,08% na arrecadação do ITR decorrente da descentralização para os municípios, em relação a manter a gestão centralizada com a União. O efeito é crescente ao longo dos anos após a descentralização, indicando que os municípios estão aprendendo com o tempo a cobrar e fiscalizar, e o resultado é robusto para testes de placebo e recortes por região geográfica e porte dos municípios. Para avaliar a hipótese clientelista, adota-se regressão logística e regressão descontínua com resultados de close elections como variável de descontinuidade, e os resultados indicam que os prefeitos ruralistas evitam assumir a gestão do ITR, mas que, ao fazê-lo, se comportam de forma parecida com os prefeitos não ruralistas em termos de intensidade de esforço de cobrança e fiscalização. O resultado diverge para a região Nordeste, em que se identificou que ser o município gerido por prefeito ruralista reduz entre 12,15% a 28,82% a arrecadação do ITR, confirmando estudos anteriores que indicam maior existência de práticas clientelistas nessa região. Conclui-se que, em termos de esforço de cobrança e fiscalização, o imposto vem sendo mais bem gerido ao nível municipal e que ainda há elevado potencial de incremento na arrecadação.