Análise do comportamento fonológico das consoantes líquidas do português dos trovadores

O objetivo desta Tese consiste em estudar os fenômenos fonológicos do português usado no período arcaico, investigando, especificamente, as consoantes líquidas (representadas na escrita por <r, rr, l, ll> e <lh>) situadas em contexto de início e travamento silábicos, presentes em 250 poe...

Full description

Bibliographic Details
Author: Barreto, Débora Aparecida dos Reis Justo [UNESP]
Format: doctoral thesis
Status:Published version
Publication Date:2023
Country:Brasil
Institution:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repository:Repositório Institucional da UNESP
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/243593
Online Access:http://hdl.handle.net/11449/243593
Access Level:Open access
Keyword:Consoantes líquidas
Geminação
Cantigas medievais galego-portuguesas
Português arcaico
Status fonológico
Liquid consonants
Gemination
Medieval Galician-Portuguese songs
Archaic Portuguese
Phonological status
Description
Summary:O objetivo desta Tese consiste em estudar os fenômenos fonológicos do português usado no período arcaico, investigando, especificamente, as consoantes líquidas (representadas na escrita por <r, rr, l, ll> e <lh>) situadas em contexto de início e travamento silábicos, presentes em 250 poemas medievais galego-portugueses. As líquidas são uma temática interessante à composição de um mosaico dos aspectos segmentais do português arcaico, visto que há muitas controvérsias na literatura sobre o status fonológico de tais segmentos, tanto na atualidade quanto em períodos passados da língua. O nosso objetivo é o de analisar as consoantes líquidas em todos os contextos da sílaba e da palavra, além de verificar se, no período trovadoresco do português, as consoantes róticas e laterais duplas, quando estão em contexto intervocálico, apresentam um mesmo comportamento fonológico, ou seja, podem ser entendidas como geminadas do ponto de vista fonológico. Elementos desse tipo compreendem um segmento que vale por dois, sendo que uma parte preenche a posição de coda da sílaba anterior, travando-a, e a outra se situa no início da sílaba seguinte. A análise dos dados foi feita a partir dos modelos fonológicos não-lineares, em especial as teorias autossegmental e métrica. A metodologia adotada se embasou na verificação da possibilidade, ou não, de variação na escrita das vibrantes e laterais, visando averiguar relações entre letras e sons, e no estudo do comportamento das líquidas duplas em contexto de ataque, de coda e entre vogais. A análise da amostragem coletada mostrou que, em posição intervocálica, a lateral dobrada <ll/lh> apresenta o mesmo comportamento fonológico constatado para a vibrante <rr> em Barreto (2019), isto é, pode ser considerada como geminada, no nível fonológico, já que apresenta as características desse tipo de segmento. Em relação às outras posições na palavra, verificou-se que as róticas e laterais duplas não compreendem casos de geminação. Ademais, reconhecemos, por meio das reflexões feitas, a existência de um único fonema rótico naquela fase da língua, o tepe, que, da perspectiva fonológica, tem duas variantes, uma simples (r ou rr), e uma geminada (rr). E, sobre a lateral, consideramos que, na Idade Média, diferentemente do que ocorre hoje no português, em que se realiza l de forma vocalizada em coda de sílaba, esse segmento, possivelmente, era pronunciado de modo velarizado, realização recorrente, ainda hoje, no português da Europa.