O presépio no meio do redemunho: intersemiose, poesia e epifania em Guimarães Rosa

Quase um ponto cego na fortuna crítica rosiana, “O burro e o boi no presépio” ressente-se também de uma evidente negligência editorial – das 26 imagens referidas pelos poemas, duas reclamam revisão e cinco não constam na única edição ilustrada, esgotada há anos. Tendo reconstituído e sanado as corre...

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Detalhes bibliográficos
Autor: VITAL, Michelle Jacome Valois
Formato: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2016
País:Brasil
Recursos:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Repositorio:Repositório Institucional da UFPE
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.ufpe.br:123456789/20001
Acesso em linha:https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/20001
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:O burro e o boi no presépio
Corpo de Baile
Poesia
Imagem
Sagrado
Descrição
Resumo:Quase um ponto cego na fortuna crítica rosiana, “O burro e o boi no presépio” ressente-se também de uma evidente negligência editorial – das 26 imagens referidas pelos poemas, duas reclamam revisão e cinco não constam na única edição ilustrada, esgotada há anos. Tendo reconstituído e sanado as correspondências imagem-poema, nosso trabalho analisa, num primeiro momento, “O burro e o boi no presépio” enquanto ponto de interseção das veredas-mestras da poética de Rosa – a espacialidade, a performatividade, a autoinclusão e a preocupação metafísica. Considerada nessas quatro dimensões fundamentais, cada obra e a obra inteira de Rosa emergem como um poema, uma configuração de nexos não-lineares que um autor implícito conspícua e deliberadamente atuante faz por apontar. Em Corpo de Baile o nexo fundamental é justamente o presépio. Mistério fundador no cristianismo, a Natividade associa-se à devoção festiva e risonha que encontramos no ciclo das sete novelas, onde o presépio é, mais do que leitmotif, uma celebração da poesia como lugar do sagrado. Sempre lado a lado com os poemas do presépio, a segunda parte do trabalho percorre Corpo de Baile como essa celebração performada na coenunciação literária, profissão de fé a um tempo estética e religiosa, de um escritor para quem “credo e poética são a mesma coisa” (ROSA In COUTINHO, 1983, p.74).