A fundamentação afetiva da metafísica: medo da morte e ressentimento com o tempo

Este trabalho visa investigar a fundamentação afetiva da metafísica clássica a partir das considerações a respeito elaboradas por Nietzsche, Bergson e Heidegger. Nesta perspectiva, a investigação procede a uma pesquisa da origem da palavra e de seu desenvolvimento historial materializado nas especul...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Santos, Fábio Candido dos
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2019
País:Brasil
Institución:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:www.bdtd.uerj.br:1/17872
Acceso en línea:http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/17872
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Philosophy
Metaphysics
Time
Filosofia
Metafísica
Tempo
CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA
Descripción
Sumario:Este trabalho visa investigar a fundamentação afetiva da metafísica clássica a partir das considerações a respeito elaboradas por Nietzsche, Bergson e Heidegger. Nesta perspectiva, a investigação procede a uma pesquisa da origem da palavra e de seu desenvolvimento historial materializado nas especulações de Platão e Aristóteles bem como daqueles que os precederam filosoficamente. A instalação de uma ideia transcendente e inteligível de Ser contraposta a uma concepção de real como física e, sobretudo, temporal, se mostra como a medida do surgimento do pensamento metafísico. Visando compreender as razões desta configuração, a investigação se volta para o escrutínio das principais concepções de tempo observadas na metafísica clássica. O desejo de domesticar o tempo para dominar a realidade, entendida a partir da operação desta vontade como presença permanente, isto é, enquanto uma espécie de presente atemporal, é identificada como a origem da separação de tempo e Ser que determinará a metafísica. Na base deste desejo se observa, com Bergson, que o presente permanente metafísico não passa de um passado recortado e fixado pela razão, ou seja, da imobilização artificial da realidade movente em inteligíveis, tendo Zenão e Platão como principais artífices do expediente. Esta configuração é explicada por Heidegger como resultante de uma modificação na relação originária do homem com o real a partir de Platão. Na base desta mudança, contudo, a ação de um afeto: o medo da morte. Por temer seu desaparecimento, o homem metafísico funda um além de forma a se defender da finitude e relega a temporalidade ao status de erro, uma vez que é a responsável pelo findar da existência. O Fédon de Platão mostrar-se-á como o marco desta configuração, uma vez que dele emana o desprezo da vida a partir da tese da imortalidade da alma, o principal argumento metafísico a favor da transcendência no post mortem. Sendo origem do devir e, obviamente, da morte, o tempo, a partir da instauração da metafísica, é desprezado e entendido como prejudicial, sendo, por isso, e como demonstra Nietzsche, objeto de ressentimento. Desta forma, o pensamento metafísico se apresenta afetivamente como a consolidação do medo da morte movido pelo ressentimento contra o tempo.