Retomar o Brasil: um estudo das cartas escritas pelos povos indígenas nos últimos 50 anos

No Brasil, os povos indígenas escrevem cartas desde o século XVII, mas essa produção epistolar não recebeu a devida atenção dos analistas políticos, cientistas e formadores de opinião. Nesta pesquisa, apresento e analiso um conjunto de 1000 cartas escritas nos últimos cinquenta anos, presentes no si...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autores: Silva, Carlos Rafael, Xucuru-Kariri, Rafael
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2023
País:Brasil
Institución:Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Repositorio:Repositório Institucional da UFBA
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.ufba.br:ri/38055
Acceso en línea:https://repositorio.ufba.br/handle/ri/38055
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:CNPQ::CIENCIAS HUMANAS
Povos indígenas
Cartas
Retomada
Estado
Política
Indigenous people
Letters
State
Politics
Descripción
Sumario:No Brasil, os povos indígenas escrevem cartas desde o século XVII, mas essa produção epistolar não recebeu a devida atenção dos analistas políticos, cientistas e formadores de opinião. Nesta pesquisa, apresento e analiso um conjunto de 1000 cartas escritas nos últimos cinquenta anos, presentes no site As Cartas dos Povos Indígenas ao Brasil - primeiro arquivo digital de correspondências entre esses povos e a sociedade brasileira. Caracterizo o conjunto de documentos por meio da análise de conteúdo, utilizada para compreender quem são os indígenas que escrevem as cartas, para quem são destinadas, quais assuntos são abordados e para que os povos escrevem. Percorro o caminho dessas cartas, em diferentes contextos políticos, analisando como o discurso público dos povos indígenas reivindica suas terras com base em concepções próprias de justiça, retomada, Bem Viver e liberdade, diante de um Estado caracterizado como colonial, tutelador da vontade dos indígenas e voltado para um projeto de morte. Para tanto, mapeio a circulação das cartas e as defino como documentos públicos dos povos indígenas sobre si e sobre as sociedades com as quais convivem, buscando compreender como é viver e morrer sendo indígena no Brasil. Trabalho com os referenciais teóricos de Duncan Ivison (2020), sobre as manifestações dos povos indígenas para as democracias liberais contemporâneas, com as concepções de carta pública de Maria José Bergia (2019) e Suzane Costa (2013), aliadas às reflexões de Ailton Krenak (2015) sobre o lugar dos povos indígenas na sociedade brasileira. Finalizo este estudo demonstrando como a retomada do Brasil pela política se manifesta e se potencializa por meio do fenômeno da comunicação pública entre os indígenas e o país.