Impacto da ação de um médico cardiologista, especialista em cuidados paliativos, para pacientes internados com insuficiência cardíaca avançada

Introdução: A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome incurável, de caráter progressivo, de elevada morbidade e mortalidade, que impacta significativamente na qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares, especialmente em estágios avançados de doença. Os cuidados paliativos (CP) oferecem...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Santi, Daniel Battacini Dei
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-21102025-135251
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-21102025-135251/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Choque cardiogênico
Critical illness
Cuidado paliativo
Cuidados de fim de vida
Doença terminal
Heart failure
Hospice care
Insuficiência cardíaca
Palliative care
Shock cardiogenic
Terminal care
Descripción
Sumario:Introdução: A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome incurável, de caráter progressivo, de elevada morbidade e mortalidade, que impacta significativamente na qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares, especialmente em estágios avançados de doença. Os cuidados paliativos (CP) oferecem uma abordagem multidisciplinar voltada à mitigação do sofrimento de pacientes com doenças graves. Estudos mostram que a integração dos CP à cardiologia contribui para a otimização do manejo de cardiopatas e que especialistas nessa área melhoram a assistência a pacientes internados por IC descompensada, influenciando em desfechos clínicos. Objetivo: Analisar o impacto da inclusão de um médico cardiologista, especialista em CP, em uma equipe de interconsulta de CP, avaliando sua influência no processo de referenciamento e nos desfechos clínicos de pacientes internados por IC descompensada. Métodos: Trata-se de um estudo observacional retrospectivo, conduzido com uma coorte de pacientes internados por descompensação de IC em perfil clínico-hemodinâmico C, em uso de inotrópicos, admitidos no pronto-socorro do Instituto do Coração entre fevereiro de 2015 e maio de 2018. A análise foi estruturada em dois períodos de 20 meses: antes (período A) e após (período B) a inclusão de um cardiologista especialista em CP na equipe de interconsulta de CP. Foram avaliadas a frequência e o tempo para a solicitação da interconsulta, as intervenções realizadas pela equipe de CP, o uso de recursos hospitalares no dia do óbito e as mortalidades hospitalar e em cinco anos. Resultados: Foram incluídos 492 pacientes, dos quais 66,9% eram do sexo masculino, com mediana de idade de 63 anos (IQ 52-72). As taxas de mortalidade hospitalar e em 5 anos de seguimento foram de 42,7% e 84,0%, respectivamente. Apenas 23% dos pacientes foram referenciados para especialistas de CP. Destes, 66,3% eram do sexo masculino e apresentavam medianas de idade de 61 anos (IQ 62-79). Ao comparar os períodos A e B, observou-se um aumento significante das solicitações de interconsulta para CP, que passou de 14,5% para 39,3% (p<0,01). Além disso, houve redução na mediana do tempo para a solicitação, de 10 dias (IQ 4,5-30) para 4,5 dias (IQ 1,0-15), (p=0,01). No entanto, o referenciamento para CP permaneceu tardio, com mediana de 7 dias (IQ 3-14) e 8 dias (IQ 5-21) antes do óbito, nos períodos A e B, respectivamente (p=0,39). Não foram observadas diferenças estatisticamente significantes na sobrevida dos pacientes referenciados para CP, entre os períodos, tanto hospitalar (p=0,30), quanto em 5 anos (p=0,96). Entretanto, pacientes que receberam atendimento de CP no período B tiveram uma chance 4,5 vezes maior de serem incluídos em discussões para tomada de decisão no final de vida. Conclusão: A introdução de um cardiologista especialista em CP na equipe de interconsulta aumentou significativamente a taxa de encaminhamentos para CP e reduziu o tempo para a solicitação da avaliação, além de aumentar o envolvimento de pacientes no planejamento avançado de cuidados. Destaca-se a oportunidade de elaboração de estratégias institucionais, incluindo a capacitação de profissionais de saúde, de forma a promover maior integração entre a cardiologia e os CP.