David Hume e a questão dos milagres

Por que Hume, ao mesmo tempo em que faz os raciocínios sobre os fatos dependerem inteiramente da experiência, nega qualquer veracidade aos milagres? Baseado na definição do milagre como uma transgressão das leis naturais pela vontade de Deus ou de agentes invisíveis, Hume desloca o problema da crenç...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Danowski, Déborah
Tipo de documento: artigo
Estado:Versão publicada
Data de publicação:1995
País:Brasil
Recursos:Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Repositório:Manuscrito (Online)
Idioma:português
OAI Identifier:oai:ojs.periodicos.sbu.unicamp.br:article/8660310
Acesso em linha:https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/manuscrito/article/view/8660310
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Hume
Milagres
Crença
Descrição
Resumo:Por que Hume, ao mesmo tempo em que faz os raciocínios sobre os fatos dependerem inteiramente da experiência, nega qualquer veracidade aos milagres? Baseado na definição do milagre como uma transgressão das leis naturais pela vontade de Deus ou de agentes invisíveis, Hume desloca o problema da crença em milagres para o da crença em suas testemunhas. Por maior que seja a probabilidade de que estas sejam verídicas, seu relato se refere a um evento singular e excepcional, que tem contra si a regularidade perfeita de nossa experiência das leis da natureza. Ao contrário dos fatos apenas extraordinários, que, através dos raciocínios por probabilidade, diminuem nossa crença no fato oposto e são projetados para o futuro como acontecimentos ao menos possíveis, os milagres, por se colocarem sobre a natureza, têm que enfrentar uma evidência da ordem da prova (como convém às leis naturais), que jamais conseguirão suplantar. A absoluta singularidade só é possível em um estado anterior ou exterior à experiência e à natureza humana, e que por isso não comportaria qualquer crença. Esta seria a razão pela qual Hume, embora afirme que a priori um milagre é sempre possível, recusa de saída seu assentimento a qualquer testemunho desses fenômenos, pela simples natureza do fato que relatam.