O mal-estar na cultura ou cultura do mal : o fascismo, a perversão e o social

O presente trabalho provém de uma pesquisa de mestrado que parte da seguinte pergunta: seria possível ler o fascismo como uma perversão no âmbito social? Partindo desse pressuposto, esta pesquisa convoca a psicanálise a uma conversa com a ciência política e com a história, a partir da metapsicologia...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Pedro Paulo Dias
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Repositorio:Repositório Institucional da UFMG
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.ufmg.br:1843/81135
Acceso en línea:http://hdl.handle.net/1843/81135
https://orcid.org/0009-0007-9877-8951
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Fascismo
Gozo
Perversão
Supereu
Fantasia
Psicologia - Teses
Fascismo - Teses
Gozo - Teses
Superego - Teses
Descripción
Sumario:O presente trabalho provém de uma pesquisa de mestrado que parte da seguinte pergunta: seria possível ler o fascismo como uma perversão no âmbito social? Partindo desse pressuposto, esta pesquisa convoca a psicanálise a uma conversa com a ciência política e com a história, a partir da metapsicologia freudiana e da teoria lacaniana. Considera-se que, no fascismo, há um processo de mobilização de afetos, pela via da palavra, como medo, raiva, mágoa, ressentimento e, fundamentalmente, a consequente produção de angústia naqueles que não se identificam como adeptos de determinado modo de engendrar o exame da realidade. Assim, este trabalho busca compreender a expressão de uma agressividade, que transita para a hostilidade e se realiza em atos de violência física e/ou simbólica. Para tanto, observamos que o uso das redes digitais, como meio de operação de um discurso que efetiva uma mudança radical no modo de leitura da realidade, é um aspecto importante na constituição e na consolidação do poder. Cabe-nos observar que esse discurso captura, por algum tempo, inclusive algumas pessoas que não necessariamente partilham dos ideais do fascismo. Para atingir tal ponto, o fascista se utiliza de uma estrutura ilusória, em que um fragmento de algo verdadeiro se associa a algo falso, formando uma estrutura semiótica potente, como ferramenta política, da forma como se verifica na atualidade, com as chamadas fake news. No entanto, na estrutura fascista, elas são tidas como verdade. Nesse sentido, as fake news estruturam uma organização em que a dúvida se apresenta em um primeiro momento àqueles (sujeitos e/ou instituições) que serão colocados como agentes de certo mal. Uma vez que a dúvida esteja disseminada, centralizam-se sobre a figura do líder o poder e a identidade. Assim, a legitimidade do saber/verdade emana dele; o qual, portanto, apresenta-se como um senhor do Gozo. Operadores psicanalíticos maiores, tais como a fantasia, o ideal do eu/supereu, gozo, clivagem do eu, entre outros, vão nos auxiliar a interrogar ainda o lugar do sujeito ante esse arranjo de forças e condições.