Discurso e audiovisual: a construção de sentido na microssérie Capitu

A análise semiótica da microssérie Capitu revela a construção de sentido operada pela Rede Globo, que, atuando como um destinador, transcende a adaptação literária. A obra articula um percurso de recepção no espectador por meio das instâncias de manipulação, competência, performance e sanção, mobili...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Silva, Karine Ariane [UNESP]
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/316533
Acceso en línea:https://hdl.handle.net/11449/316533
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Adaptação
Audiovisuais
Linguagem
Semiótica
Adaptation
Language
Semiotics
Audiovisuals
Descripción
Sumario:A análise semiótica da microssérie Capitu revela a construção de sentido operada pela Rede Globo, que, atuando como um destinador, transcende a adaptação literária. A obra articula um percurso de recepção no espectador por meio das instâncias de manipulação, competência, performance e sanção, mobilizando estratégias como a sedução (através da estética) e a tentação (pela promessa de um produto de alta cultura). No nível narrativo, a obra explora a dimensão passional dos personagens como força motriz da trama. A jornada do protagonista Bentinho configura-se como uma complexa transformação, transitando da esperança na juventude para a insegurança na vida adulta, e culminando no rancor na velhice. As paixões dos demais actantes — a ambiguidade de Capitu, a devoção de Dona Glória e a tentação de José Dias — funcionam como ferramentas narrativas que intensificam o drama de Bentinho, reforçando a visão de uma tragédia inevitável. Adicionalmente, o texto emprega o quadrado da veridicção para demonstrar como a narrativa constrói uma verdade, ao passo que utiliza a mentira, o segredo e a falsidade para influenciar a percepção do destinatário. No nível discursivo, a análise se aprofunda na materialização desses conceitos abstratos em elementos visuais e sonoros concretos, processo denominado discursivização. A teatralidade emerge como a isotopia central da obra. O enunciador Rede Globo utiliza as categorias de actorialização, temporalização e espacialização para expor a natureza construída da narrativa. A maestria da obra reside na criação de um percurso antitético que confronta a realidade com a encenação. Figuras recorrentes como a cortina vermelha, a iluminação cênica e o bigode postiço de Bento Santiago funcionam como lembretes visuais constantes dessa encenação. O resultado é um texto pluri-isotópico que, para além da exploração do ciúme, reflete sobre a natureza da memória, da verdade e da representação, elevando a tragédia pessoal de Bento Santiago a um drama encenado.