A escuta da escuta

Esta tese dá a ver uma prática de pesquisa animada pelo exercício da anotação. As proposições artísticas aqui engendradas são compreendidas como pensamento em composição com as anotações escritas. A escuta da escuta é um pensamento que quer falar das relações que se dão de um para o outro, pouco med...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Redin, Mayra Martins
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2016
País:Brasil
Institución:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:www.bdtd.uerj.br:1/7388
Acceso en línea:http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/7388
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Listening
Gesture
Intimacy
Annotation
Body/skin
Memory
Otherness
Escuta
Gesto
Intimidade
Anotação
Corpo/pele
Memória
Outro
Arte moderna Séc. XXI
Apontamentos
Escuta (Psicologia)
Corpo como suporte da arte
CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::ARTES::ARTES PLASTICAS
Descripción
Sumario:Esta tese dá a ver uma prática de pesquisa animada pelo exercício da anotação. As proposições artísticas aqui engendradas são compreendidas como pensamento em composição com as anotações escritas. A escuta da escuta é um pensamento que quer falar das relações que se dão de um para o outro, pouco mediadas ou mediadas apenas pelos corpos. Este trabalho acredita na potência da palavra e da imagem anotadas enquanto formas de dizer dessa mediação mínima da experiência pela qual o corpo vive. A escuta da escuta é gesto que busca se realizar, ser praticado, nos lugares onde há palavras em demasia, nos lugares onde ainda não há palavras e nos lugares onde palavras novas surgirão. A escuta é entendida como movimento de abertura que circula e que retorna, vai ao mundo político (em busca do que é da ordem do comum ) e retorna para o íntimo e novamente vai ao comum e assim segue. Aproximar duas conchas, inventar um jeito de recolher um livro que não mais existe de um incêndio de uma biblioteca, observar cachorros mortos na estrada, observar o rabo afetivo da cachorra domesticada, ler do jornal uma notícia que salta aos olhos, tudo sem quase nada produzir, mas sustentando um lugar que quer fazer mover as coisas, tirá-las de um passado e fazê-las movimentar-se pelo presente da anotação. Os autores (Roland Barthes, João Barrento, Jean-Luc Nancy, Jacques Lacan, Kazuo Ohno, Manoel Ricardo de Lima) e os artistas (Nuno Ramos, Leila Danziger, Marcel Duchamp, Allan Kaprow), entre outros, com os quais este trabalho conversa, suas noções e conceitos, funcionam como intercessores poéticos mais que teóricos, portanto, são enlaçadas por seus pormenores. Por fim, a escuta da escuta, enquanto uma ética, um modo de vida frente (e junto) ao mundo que, a cada dia, apresenta sua barbárie, será sempre um exercício em que não há lugar a se chegar: a prática da escuta é o próprio lugar sempre por se fazer, demandando o corpo em uma atividade sem finalidade. Esta pesquisa ensaia sustentar este lugar incerto e desconhecido enquanto o que alimenta a própria experiência, refazendo suas apostas diárias. Fazer persistir esta espécie de postura frente às ruínas pessoais e comuns é onde este trabalho acredita que a força da arte possa ser mais potente e mais sutil