Para onde nos conduz a viagem de Dante?
A Itália e sua língua nacional devem muito ao ato revolucionário de um poeta que se atreveu a romper as barreiras do mundo conhecido e adentrar, em primeira pessoa, nos mistérios da outra vida, aquele “al di là” esperado, desconhecido e temido, partindo da tradição (Virgilio) para chegar à “vida nov...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | artículo |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2021 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositorio: | Revista de Italianística (Online) |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:revistas.usp.br:article/192821 |
| Acceso en línea: | https://revistas.usp.br/italianistica/article/view/192821 |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Dante Alighieri Viagem Diálogo Livre-arbítrio Indivíduo Dante Viaggio Dialogo Libero arbitrio Individuo Journey Dialogue Free will Individual |
| Sumario: | A Itália e sua língua nacional devem muito ao ato revolucionário de um poeta que se atreveu a romper as barreiras do mundo conhecido e adentrar, em primeira pessoa, nos mistérios da outra vida, aquele “al di là” esperado, desconhecido e temido, partindo da tradição (Virgilio) para chegar à “vida nova”, onde a matéria se faz luz. Em sua jornada, o poeta peregrino passa pelo Inferno, onde antigas criaturas monstruosas e ferozes punem as paixões e as ilusões de soberba, posse, avidez; pelo Purgatório, o mundo do meio que é também meio de libertação das ilusões, reino em que a melancolia se irmana à esperança; ao final dele, o poeta alcança o Paraíso terrestre, pois seu arbítrio já é “libero, dritto e sano” e lhe permite ascender ao Paraíso, o reino em que o “ben dell’intelletto” e a contemplação aliam-se à crescente lucidez, em que a comunhão com o divino se torna real. Ao final de sua busca o “ser com Deus” faz com que o desejo humano seja preenchido de divindade (“ma già volgeva il mio disio e il velle, / sì come rota ch’igualmente è mossa, / l’Amor che move il sole e l’altre stelle”). Ao chegar ao “ponto final”, Dante parece esclarecer as dúvidas e temores dos homens de seu tempo, sigilando finalmente as portas do mundo antigo e suas formas de representação, para nos conduzir ao mundo moderno, ao Humanismo, o tempo em que o indivíduo está em contato com a natureza, com a história e o poeta em diálogo constante com sua obra e seu leitor. |
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