Patativa do Assaré: memória e poética

Falar da capacidade de rememoração de Patativa associa-se ao prodigioso. Evoca o jovem espanhol, de 21 anos, que era capaz, em 1446, de recitar de cor a Bíblia inteira, Nicolas de Lyre, os escritos de Santo Tomás, Alexander of Rales, Boaventura, Duns Scot e muitos outros ... mas é verdade, apenas um...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Carvalho, Francisco Gilmar Cavalcante de
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:1996
País:Brasil
Institución:Universidade Federal do Ceará (UFC)
Repositorio:Repositório Institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC)
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.ufc.br:riufc/41425
Acceso en línea:http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/41425
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Patativa do Assaré
Memória
Poética
Descripción
Sumario:Falar da capacidade de rememoração de Patativa associa-se ao prodigioso. Evoca o jovem espanhol, de 21 anos, que era capaz, em 1446, de recitar de cor a Bíblia inteira, Nicolas de Lyre, os escritos de Santo Tomás, Alexander of Rales, Boaventura, Duns Scot e muitos outros ... mas é verdade, apenas uma parte de Aristóteles! A dúvida que ficava era se a inspiração vinha de Deus ou do diabo. O processamento das artes mnemotécnicas, sistematizadas por Simônides, encontra no teatro da memória de Camillo, nos esquemas de Raymond Lulle, nos "secrets" de Giodano Bruno e nas propostas de Fludd, exemplos apresentados por Frances A. Yates, uma tradição iniciática e também uma maneira de compreender o mundo e não apenas de enunciá-lo aos jorros de uma acumulação privilegiada. Patativa sabe de cor seus poemas. E os recita com prazer, nos momentos em que é chamado a performatizar. É quando sua voz anasalada se emposta como a do contador que ele foi e o corpo franzino assume as proporções de mito. O poema é ele todo, perfazendo-se por meio de várias linguagens.[...]Quem lê ou quem ouve Patativa compreende porque a voz poética é memória. Ou invertendo os termos da premissa, porque a memória se sustenta, aqui, na voz poética. É sua dicção que compõe a tessitura de suas lembranças pessoais que, por sua vez, atuam, como dizia Halbwachs, como um ponto de vista sobre a memória coletiva. Patativa é maior porque sua dimensão é épica. Não a poesia dos grandes feitos heróicos, dos mitos fundantes ou dos gestos memoráveis, mas de um cotidiano que assume essa conotação na aceitação e valoração de um povo, a sua gente.[...]