Os ratos e os rastros : a construção da realidade urbana através das palavras

Dyonelio Machado, autor do romance “Os Ratos”, destaca-se por ter rompido com as estruturas da literatura gaúcha e abandonado o mito do herói a cavalo para destacar a essência urbana da capital gaúcha. O escritor usava de sua persuasão para que os leitores o compreendessem, sabia que jogava com o mu...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Schöffel, Debora Grando
Tipo de documento: dissertação
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2016
País:Brasil
Recursos:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Repositório:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS
Idioma:português
OAI Identifier:oai:www.lume.ufrgs.br:10183/148984
Acesso em linha:http://hdl.handle.net/10183/148984
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Machado, Dyonélio, 1895-1985. Os ratos
Percepção urbana
Literature
Urban perception
Descrição
Resumo:Dyonelio Machado, autor do romance “Os Ratos”, destaca-se por ter rompido com as estruturas da literatura gaúcha e abandonado o mito do herói a cavalo para destacar a essência urbana da capital gaúcha. O escritor usava de sua persuasão para que os leitores o compreendessem, sabia que jogava com o mundo da literatura, e de certa forma ressentia-se com a incompreensão da crítica, vigiada de perto pela censura. Naziazeno, personagem principal da narrativa, apresenta sua origem na propriedade rural, mas vive agora preso à cidade e ao seu ritmo feroz metropolitano. Anda por ruas, pega o bonde, trabalha em uma repartição pública e tem seu olhar lançado para o passado volta e meia, lembrando-se da sua infância e de como a cidade em que cresceu era diferente em vários sentidos da que vive. O objetivo do trabalho é discutir as descrições urbanas encontradas em “Os Ratos”, a partir do método da nova História Cultural cujos princípios, destacam-se os argumentos afirmando que o mundo só é percebido como representação através de uma estrutura de convenções, esquemas e estereótipos culturalmente construídos. O real não deixará de ser real, pois é exatamente a ficcionalidade que garante a identidade às relações sociais, configurando o real e o imaginário não como coisas opostas, mas sim complementos indispensáveis para a forma de existência da vida social. Esta estratégia mostra como retirar o melhor proveito do cruzamento das imagens e os discursos das cidades, gerando assim um aprofundamento nas relações literatura e história, além da base que é a cidade, o contexto urbano e suas transformações. As narrativas literária e histórica trazem discursos que ajudariam a remontar a realidade urbana. Tratando-se de convencer o leitor e transporta-lo para um outro tempo. O que torna o romance algo a mais do que um simples relato, é que o autor procura compreender a cidade retratando as mudanças econômicas e estruturais, pois passava por um período de efervescência e modernização. Devido a sua visão sensível diversos aspectos intrínsecos ao meio urbano, que se entrelaçam na transformação e modernização da cidade aparecem no romance de Dyonelio Machado. Não apenas esta obra, mas diversas obras de literatura podem ser usadas como fonte de pesquisa e ajudaram a compreender novos pontos da cidade, que nem sempre ficam expressos na história e complementam as buscas dos Arquitetos e Urbanistas na construção do imaginário social de uma época.