A passagem adolescente em contextos de vulnerabilidade e exclusão social

Este trabalho de pesquisa tem como objetivo interrogar e analisar, a partir do referencial psicanalítico e da escuta clínica, as singularidades da passagem adolescente para jovens marcados por processos de vulnerabilidade e exclusão social atendidos na política pública em um Centro de Referência Esp...

Full description

Bibliographic Details
Author: Warpechowski, Marisa Batista
Format: master thesis
Status:Published version
Publication Date:2017
Country:Brasil
Institution:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Repository:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:www.lume.ufrgs.br:10183/205420
Online Access:http://hdl.handle.net/10183/205420
Access Level:Open access
Keyword:Psicanálise do adolescente
Exclusão social
Assistência social
Vulnerabilidade
Adolescent process
Psychoanalysis
Social assistance
Vulnerability
Social exclusion
Description
Summary:Este trabalho de pesquisa tem como objetivo interrogar e analisar, a partir do referencial psicanalítico e da escuta clínica, as singularidades da passagem adolescente para jovens marcados por processos de vulnerabilidade e exclusão social atendidos na política pública em um Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). Nesse serviço, a partir do trabalho de acolhimento e de escuta a famílias em situação de violações de direitos, passamos a interrogar a passagem adolescente para estes jovens que trazem em sua história as marcas da vulnerabilidade e exclusão social, que vivem em comunidades conflagradas pela violência, que sofrem pelo efeito do desamparo social e discursivo. Este trabalho se inscreve na articulação da psicanálise e da política pública de assistência social e visa a enlaçar as questões subjetivas e políticas, considerando o sujeito em sua posição desejante no laço social, bem como sua posição de cidadão de direitos. Com a psicanálise, reconhecemos a adolescência como um trabalho psíquico, como momento de construir uma nova posição subjetiva, em que ocorre uma ressignificação da imagem corporal diante de um outro olhar, diferente daquele do grande Outro materno. Nesta ressignificação, o enfrentamento com o real pubertário pode produzir efeitos da ordem do traumático. Nesse processo, o adolescente tem de construir um lugar social diferente daquele da família, porém, um lugar subjetivo enquanto sujeito no mundo, fazendo parte desta construção tomar a palavra e falar em nome próprio. No percurso dessa pesquisa, construímos nossas referências teóricas a partir de Freud, Lacan e outros analistas contemporâneos que articulam subjetividade e política. Fundamentamos nossa proposta metodológica no entendimento acerca da pesquisa psicanalítica, que enlaça a clínica, pesquisa e intervenção. Para atingir nosso objetivo, escutamos os adolescentes atendidos no CREAS utilizando o dispositivo de rodas de conversa. Entendemos as rodas de conversa como uma tessitura, como produto de diversas conexões entre os sujeitos, os diferentes fios da vida que cada um vai entrelaçando e formando uma rede. Apostamos que o acontecer grupal pode construir redes que acolham estes sujeitos em seus desamparos e também descubra suas potências construindo outras formas de nomeação e inscrição no laço social mais satisfatórias e menos destrutivas. A partir da escuta de alguns significantes que emergiram nas rodas de conversa, realizamos a construção de três casos clínicos. Nos casos trabalhados, podemos apontar que os adolescentes — mesmo compartilhando de uma mesma trama social — constroem modos singulares de realizar a passagem adolescente e que, nesse contexto social, os obstáculos e limites que esses jovens encontram tornam esse trabalho psíquico de adolescer ainda mais difícil.