Tensão entre genialidade e loucura no romance Cien años de soledad
Pautados nos estudos da Escola de Paris e nas pesquisas desenvolvidas em semiótica tensiva, que têm como principal representante Claude Zilberberg, nossos esforços se concentram em compreender como se estabelece no discurso o sentido de estranhamento que a personagem José Arcadio Buendía suscita no...
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| Tipo de documento: | artigo |
| Estado: | Versão publicada |
| Data de publicação: | 2009 |
| País: | Brasil |
| Recursos: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositório: | Estudos Semióticos |
| Idioma: | português |
| OAI Identifier: | oai:revistas.usp.br:article/49237 |
| Acesso em linha: | https://revistas.usp.br/esse/article/view/49237 |
| Access Level: | Acceso aberto |
| Palavra-chave: | semiótica tensiva García Márquez Cien años de soledad sémiotique tensive |
| Resumo: | Pautados nos estudos da Escola de Paris e nas pesquisas desenvolvidas em semiótica tensiva, que têm como principal representante Claude Zilberberg, nossos esforços se concentram em compreender como se estabelece no discurso o sentido de estranhamento que a personagem José Arcadio Buendía suscita no leitor. Para o presente artigo, limitamo-nos ao primeiro capítulo do romance Cien años de soledad, de Gabriel García Márquez, em que são apresentadas como centrais as três seguintes personagens: José Arcadio Buendía, Melquíades e o coronel Aureliano Buendía. O interesse principal de nossa investigação baseia-se na seguinte questão: por que razão o efeito de estranhamento incide sobre José Arcadio Buendía, e não, o que seria mais óbvio, sobre Melquíades, personagem figurativizada com atributos míticos? Nossa hipótese é de que há um processo de semiose peculiar, responsável pela quantidade de estranhamento que recai sobre José Arcadio Buendía: este se torna estranho ao leitor mesmo quando comparado ao mítico Melquíades. Em consequência das tensões que agem sobre os três atores dessa narrativa, procuramos desvelar o mecanismo de estranhamento que envolve o ator José Arcadio Buendía e que se atualiza como uma tensão fundamental entre os papéis temáticos do gênio e do louco. O artifício do qual se vale o enunciador para engendrar a semiose aqui descrita, parecendo operar de modo a fazer ruir o sentido do discurso estereotípico, remete-nos aos pensamentos de Roland Barthes, quando ele infere que “a primeira [das operações] consiste em isolar-se. A língua nova deve surgir de um vácuo material; um espaço anterior deve separá-la das outras línguas, comuns, vazias, ultrapassadas, cujo 'ruído' pudesse perturbá-la: nenhuma interferência de signos [...]” (1971, p. 8). |
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