Cooperação para o Desenvolvimento como Agenda de Política Externa: Assimetria, Humilhação e Condicionalidade

O campo da cooperação internacional para o desenvolvimento (CID), tal como fora constituído no pós-Segunda Guerra Mundial, está relacionado com a dominação material e simbólica dos países desenvolvidos sobre os países em desenvolvimento, tipo de dominação que é fundamental para a manutenção das desi...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Conde, Leandro Carlos Dias
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2016
País:Brasil
Institución:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:www.bdtd.uerj.br:1/12530
Acceso en línea:http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/12530
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Development
International Cooperation for Development
Foreign Policy
North-South cooperation
South-South cooperation
Humiliation
Desenvolvimento
Cooperação Internacional para o Desenvolvimento
Política Externa
Cooperação Norte-Sul
Cooperação Sul-Sul
Humilhação
CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::CIENCIA POLITICA
Descripción
Sumario:O campo da cooperação internacional para o desenvolvimento (CID), tal como fora constituído no pós-Segunda Guerra Mundial, está relacionado com a dominação material e simbólica dos países desenvolvidos sobre os países em desenvolvimento, tipo de dominação que é fundamental para a manutenção das desigualdades entre os Estados no sistema internacional. Aqui se propõe um olhar crítico da constituição desse campo, trazendo as discussões e os embates que permeiam sua elaboração conceitual e histórica. Busca-se fazer uma genealogia do desenvolvimento, sem a presunção de dar conta do todo, mas selecionando os principais eventos que identificamos como sendo centrais em sua trajetória. Discute-se como o ―desenvolvimento‖ se constituiu como uma crença ocidental amplamente compartilhada como um fenômeno global, e funcionando como um fio condutor na agenda da cooperação, tendo aliados a ele vários outros objetivos, que podem estar claros ou não ao longo dessa trajetória. Busca-se mostrar como o conceito de desenvolvimento é central para entender-se a força simbólica que sustenta o discurso da cooperação internacional para o desenvolvimento. A promoção do desenvolvimento no Sul esteve diretamente associada aos interesses da política externa dos países do Norte; a CID é, nesse sentido, ao mesmo tempo uma agenda de política externa e uma inovação de seu tempo. No início do século XXI, o campo da CID viu emergir novos atores, reflexo das mudanças em curso na geopolítica e na geoeconomia lideradas pelas chamadas potências emergentes. Estes Estados identificam sua cooperação como cooperação Sul-Sul (CSS), aportando ao campo da CID novos discursos e abordagens que destoam da cooperação Norte-Sul (CNS). O esforço nesta dissertação centra-se em lançar luz sobre o papel que a CID desempenha dentro do que aqui se convenciona chamar de ―sistema da humilhação‖, identificando dois padrões diferentes de cooperação. A crença coletiva no desenvolvimento é comum à CSS e à CNS, mas elas operam um regime simbólico distinto, que desloca a CSS da relação de humilhação entre os Estados, sobretudo, a partir da não aplicação de condicionalidade política, que aqui tomamos como um dos principais elementos distintivos entre as duas principais formas da CID na contemporaneidade.