Tu e você na variedade rio-branquense: um caso de variação ou escolha funcional?
Os estudos na perspectiva variacionista têm mostrado que não mais se observa a alternância tu/você em todas as variedades do Português Brasileiro (PB). Segundo Menon (1994), nos dados do NURC-SP, apenas a forma você faz parte do sistema pronominal, e o mesmo se aplica ao falar de Belo Horizonte (RAM...
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| Tipo de recurso: | tesis doctoral |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2019 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade Estadual Paulista (UNESP) |
| Repositorio: | Repositório Institucional da UNESP |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:repositorio.unesp.br:11449/180973 |
| Acceso en línea: | http://hdl.handle.net/11449/180973 |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Pronomes pessoais referência determinada referência Indeterminada Personal pronouns determined reference undetermined reference |
| Sumario: | Os estudos na perspectiva variacionista têm mostrado que não mais se observa a alternância tu/você em todas as variedades do Português Brasileiro (PB). Segundo Menon (1994), nos dados do NURC-SP, apenas a forma você faz parte do sistema pronominal, e o mesmo se aplica ao falar de Belo Horizonte (RAMOS, 1997) e à cidade de Curitiba (cf. LOREGIAN, 1996). Menon (2002) questiona a conclusão de que você já teria substituído cabalmente tu na maior parte do Brasil, e também, a aceitação simples de que tu e você constituem uma variável no PB, já que em algumas variedades somente ocorre uma das formas. Esse quadro justificou plenamente nossa proposta de realizar um estudo dos pronomes tu e você no falar acreano de Rio Branco, com o objetivo específico de verificar se o fenômeno investigado é um caso de variação ou de escolha funcional. Pretende-se verificar ainda se o fenômeno variável investigado - a alternância entre tu e você - com a migração possível de tu e somente depois de você é motivada por falantes de dialetos nordestinos, especialmente cearenses, que acorreram em massa ao Acre durante o período áureo de exploração da borracha (TOCANTINS, 2001). O corpus utilizado é o banco de dados do Projeto “Estudo da Fala Urbana de Rio Branco Acre”, composto por entrevistas da fala natural, com base no módulo “experiências pessoais”, que foram coletadas entre 1998 e 2011. A análise dos dados partiu dos pressupostos funcionalistas de Hengeveld e Mackenzie (2008), Dik (1989), Givón (1993) e Neves (1997) e dos pressupostos teóricos da sociolinguística variacionista, especialmente Labov (2008[1972]), e Guy e Zilles (2007), incluindo a metodologia do processamento quantitativo. Os resultados obtidos permitem afirmar que o pronome você é usado pelos rio-branquenses com maior frequência que o pronome tu indiferentemente se a referência for determinada ou indeterminada e que o uso de tu, também fortemente presente na comunidade rio-branquense, quando se realiza não ativa concordância de pessoa no verbo. Isso nos leva a concluir que a variedade falada em Rio Branco é do tipo você/tu sem concordância (SCHERRE et al., 2015). Na variedade rio-branquense usam-se os pronomes tu e você tanto para referenciar uma entidade única, representada como segunda pessoa do discurso, quanto para referenciar um conjunto de entidades tomadas como genéricas. Esses resultados indicam que a alternância entre tu e você é, ao mesmo tempo, uma variável no sentido clássico do termo, e também uma variável dependente de uma escolha funcional. Se os pais dos informantes representarem já a terceira geração de descendentes de migrantes nordestinos, é possível confirmar, muito hipoteticamente, que essa influência acreana sinalize, na realidade, a origem nordestina mais antiga dos pais, mas que, mais tardiamente já tende para a escolha de você. Há, inclusive, indícios de que a forma inovadora você seja também a de maior grau de prestígio, por ter seu uso favorecido pelos informantes com grau mais elevado de escolaridade. Além disso, com a aplicação da análise subjetiva observou-se que se usa tu em contextos mais íntimos e informais e você, em contextos formais, que denotam relações de poder e deferência. |
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