Padrões de consumo e desperdício alimentar a partir da crítica marxista de John Bellamy Foster

Para pensar o fenômeno da fome e como ele é determinado pela crise alimentar – resultado da crise do capital –, fazem-se necessárias a compreensão e a análise da totalidade que a perspectiva marxista é capaz de depreender as contradições a respeito da fome e do desperdício. Este estudo analisa como...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Castro, Gustavo Natale [UNIFESP]
Tipo de documento: dissertação
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2025
País:Brasil
Recursos:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Repositório:Repositório Institucional da UNIFESP
Idioma:português
OAI Identifier:oai:repositorio.unifesp.br:11600/74920
Acesso em linha:https://hdl.handle.net/11600/74920
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Capitalismo
Fome
Alimentos
Nutrição
Marxismo
Segurança alimentar e nutricional
Capitalism
Hunger
Food
Nutrition
Marxism
Food and nutritional security
2. Fome zero e agricultura sustentável
Descrição
Resumo:Para pensar o fenômeno da fome e como ele é determinado pela crise alimentar – resultado da crise do capital –, fazem-se necessárias a compreensão e a análise da totalidade que a perspectiva marxista é capaz de depreender as contradições a respeito da fome e do desperdício. Este estudo analisa como o modo de produção capitalista influencia os padrões de consumo, o desperdício de alimentos e a fome deliberadamente imposta. A investigação ancora-se na teoria marxiana e na perspectiva marxista contemporânea de John Bellamy Foster, tendo como fundamento metodológico o materialismo histórico-dialético. Nesse percurso, adota-se como categorias centrais do método marxiano: a totalidade, a contradição, a mediação e a práxis, permitindo a compreensão crítica da determinação social que estrutura o fenômeno estudado. Foi utilizada a abordagem ensaística como caminho para construção do estudo, por permitir maior liberdade crítica e reflexiva na análise interdisciplinar entre saúde, sociedade e economia. A dissertação expõe que a fome e o desperdício não são falhas do modo de produção capitalista, mas elementos estruturais da sua lógica, que subordina o valor de uso dos alimentos ao valor de troca, transformando-os em mercadoria, e esvaziando o seu conceito, identidade e significado histórico como necessidade humana. A fenda metabólica, conceito desenvolvido por Foster a partir de Marx, é central para explicar a ruptura e desconexão entre sociedade e natureza, expondo as reais mudanças nas relações sociais que envolvem os alimentos e a própria alimentação. A pesquisa demonstra como a industrialização, a mercantilização dos alimentos tem transformado os regimes alimentares, tornando-os cada vez mais globalizados, o que intensifica o aumento das desigualdades sociais e ambientais, a circulação de mercadorias e o hiperconsumo dos alimentos, reproduzindo dentro da lógica capitalista um novo regime de produção industrial dos alimentos. Por fim, reconhece-se que espaços como a agricultura familiar, as redes de economia solidária, os movimentos sociais por soberania alimentar e as práticas agroecológicas demonstram a possibilidade de existência de outras relações e formas de organização social em torno do alimento, de novos modelos de produção e consumo de alimentos, orientados pela lógica da vida e não do lucro, tensionando e contradizendo a lógica hegemônica do capital.