Produção de sentidos sobre as práticas de consumo de cachaça de alambique: uma análise a partir dos apreciadores

Reconhecidamente, a cachaça é um dos bens mais expressivos da identidade cultural nacional. No período colonial a bebida alcoólica tinha um cunho pejorativo, uma vez que a embriaguez era um contraponto a ética, moral e costumes religiosos apregoados na época. Atualmente, apesar da bebida ter assumid...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Araújo, Elisabeth Thaiane Tercino de
Tipo de documento: dissertação
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2020
País:Brasil
Recursos:Universidade Federal de Lavras (UFLA)
Repositório:Repositório Institucional da UFLA
Idioma:português
OAI Identifier:oai:repositorio.ufla.br:1/43414
Acesso em linha:https://repositorio.ufla.br/handle/1/43414
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Administração
Cachaça de alambique
Metáforas de consumo
Cachaça - Consumo
Cachaça from alembic
Consumer metaphors
Cachaça - Consumption
Descrição
Resumo:Reconhecidamente, a cachaça é um dos bens mais expressivos da identidade cultural nacional. No período colonial a bebida alcoólica tinha um cunho pejorativo, uma vez que a embriaguez era um contraponto a ética, moral e costumes religiosos apregoados na época. Atualmente, apesar da bebida ter assumido um papel significativo na história do Brasil, socialmente a visão negativa sobre o consumo ainda perdura, corroborando com o valor simbólico de um produto marginalizado. O ato de beber cachaça possui as mais peculiares simbologias e sentidos, mas apesar das diversas motivações para o consumo, a paixão do brasileiro pelo destilado é sempre a mesma. Diante disso, nesta dissertação o enfoque se dá nas práticas de consumo da bebida, bem como nos sentidos e emoções os quais permeiam essa ação. Nesta dissertação optou-se por utilizar como aporte teórico os Estudos Baseados em Práticas e as Metáforas de Consumo de Holt (1995) para as discussões que seguem. A presente pesquisa é um estudo qualitativo, do tipo descritivo e exploratório. Como métodos de coleta de dados adotou-se a pesquisa documental, observação participante e não participante, além de entrevistas semi estruturadas com apreciadores de cachaça artesanal. Para fins de análise, utilizou-se as narrativas como principal material, sendo este obtido através das observações, caderno de campo e entrevistas. Os dados obtidos foram categorizados e caracterizados de acordo com as metáforas de Holt: experiência, integração, classificação e jogo. Contudo, diante dos dados coletados foi possível perceber que havia surgido outra metáfora, sendo ela o consumo como moral. Essas dimensões permitiram compreender como os consumidores interagem com a bebida e objetos relacionados, como personalizam suas práticas, assimilam, avaliam, classificam-se perante os outros, socializam em determinados ambientes, dentre outros aspectos. A moralidade, por sua vez, emergiu não só por se tratar do consumo de bebida alcoólica, mas também por ser um produto cujo consumo ainda hoje carrega consigo alguns estigmas, especialmente do ponto de vista histórico, cultural e social. Além disso, observou-se que os sentidos atribuídos ao consumo de cachaça artesanal estão diretamente relacionados à cultura, a afetividade, prazer e bem estar, ascensão social, conhecimento e socialização. Assim, por meio da compreensão das narrativas tornou-se possível evidenciar não só os sentidos elaborados acerca do consumo, mas também as mudanças de narrativas sobre o destilado. Nesse sentido, como novos estudos vislumbram-se temas os quais trabalhem especificamente com o consumo de cachaça artesanal por mulheres, a compreensão dos sentidos religiosos em torno da bebida, além de estudos diversos que incentivem os debates acerca do campo da cachaça, bem como novas possibilidades teórico-metodológicas. Por último espera-se que as reflexões apresentadas neste estudo incentivem os debates acerca do campo da cachaça, bem como novas possibilidades teórico-metodológicas ao que cerne o consumo da bebida. Neste estudo buscou-se desmistificar o consumo de cachaça artesanal, além de desvelar os sentidos e emoções atribuídas as práticas de consumo, sem fazer quaisquer julgamento de valor e/ou apresentar uma visão tendenciosa da realidade.