Existe barreira de isolamento reprodutivo entre as espécies do subcomplexo vitticeps (Hemiptera, Triatominae)?

Triatoma melanocephala e T. vitticeps foram inicialmente agrupados no subcomplexo T. brasiliensis. Contudo, análises cariossistemáticas demonstraram que essas espécies não deveriam ter sido agrupadas com as espécies desse subcomplexo. Recentemente, T. melanocephala e T. vitticeps foram agrupadas em...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Sousa, Paulo Sergio de [UNESP]
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2020
País:Brasil
Institución:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/191721
Acceso en línea:http://hdl.handle.net/11449/191721
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Triatomíneos
Híbridos
Cruzamentos experimentais
Doença de Chagas
Triatomines
Hybrids
Experimental crossings
Chagas disease
Descripción
Sumario:Triatoma melanocephala e T. vitticeps foram inicialmente agrupados no subcomplexo T. brasiliensis. Contudo, análises cariossistemáticas demonstraram que essas espécies não deveriam ter sido agrupadas com as espécies desse subcomplexo. Recentemente, T. melanocephala e T. vitticeps foram agrupadas em um novo subcomplexo intitulado T. vitticeps. Essas espécies são irmãs, compartilham características morfológicas e citogenéticas e, sobretudo, existem relatos de possíveis híbridos naturais ocorrendo na natureza. Como essas espécies estão isoladas reprodutivamente de todos os triatomíneos da América do Sul (pela divergência no número de cromossomos), consideramos importante realizar cruzamentos experimentais e avaliar se existem barreiras reprodutivas instaladas entre as espécies do subcomplexo T. vitticeps, pois acredita-se que diversos fatores, como as atuais mudanças climáticas e ambientais provocadas pelo homem, provavelmente, influenciarão no aumento da probabilidade de hibridação para as comunidades futuras, pois estão reorganizando as assembleias de espécies e derrubando as barreiras reprodutivas físicas, temporais e comportamentais, o que pode resultar em eventos de extinção, introgressão, ou, até mesmo, especiação. Assim, analisou-se se as espécies do subcomplexo T. vitticeps apresentam barreiras reprodutivas pré e/ou pós-zigóticas, por meio de cruzamentos experimentais e análise dos híbridos resultantes até a segunda geração (F2), com ênfase na análise da dinâmica evolutiva dos cruzamentos experimentais (cópula interespecífica, oviposição, eclosão e desenvolvimento dos híbridos), bem como na análise da viabilidade reprodutiva dos híbridos (espermatogênese e morfologia das gônadas masculinas e femininas). Os cruzamentos entre ♀ T. vitticeps x T. melanocephala ♂ não resultaram em híbridos, caracterizando, dessa forma, barreira pré-zigótica (possivelmente associada com isolamento gamético ou incompatibilidade genômica). Já os cruzamentos entre ♀ T. melanocephala x T. vitticeps ♂ produziram híbridos que, após chegar à fase adulta, foram estéreis (barreira pós-zigótica de esterilidade do híbrido) e apresentaram disgenesia gonadal bilateral (sem formação de gametas), confirmando o status específico de T. vitticeps e T. melanocephala, com base no conceito biológico de espécie.