Gratia Dei: legitimidade e poder no IV Concílio de Toledo na Hispania Visigoda (Século VII)

Povo belicoso e com uma trajetória marcada por usurpações seguidas de assassinatos, os visigodos se estabeleceram em Hispania no século V, enfrentando ainda no século VII instabilidades políticas advindas do choque de interesses entre os grupos nobiliárquicos, os quais disputavam o posto real. Busca...

Full description

Bibliographic Details
Author: Proença, Vinicius da Silva [UNESP]
Format: master thesis
Status:Published version
Publication Date:2022
Country:Brasil
Institution:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repository:Repositório Institucional da UNESP
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/236133
Online Access:http://hdl.handle.net/11449/236133
Access Level:Open access
Keyword:Poder
Monarquia Visigoda
Usurpação
Hispania visigoda
Igreja Católica
Power
Description
Summary:Povo belicoso e com uma trajetória marcada por usurpações seguidas de assassinatos, os visigodos se estabeleceram em Hispania no século V, enfrentando ainda no século VII instabilidades políticas advindas do choque de interesses entre os grupos nobiliárquicos, os quais disputavam o posto real. Buscando lançar o olhar sobre essas relações, a proposta de pesquisa analisa a interação entre Igreja e Monarquia na sociedade visigoda, haja vista que a instituição religiosa se tornou o pilar da realeza a partir da conversão oficial ao catolicismo em 589, tendo adquirido também funções políticas. Nesse sentido, o cerne da investigação reside em se aproximar do contexto em que, contando com o apoio da instituição religiosa sob a liderança de Isidoro de Sevilha, Sisenando (631-636) tomou o poder destronando Suintila (621-631). Por meio da Análise do Discurso, buscou-se lançar luz sobre as atas do IV Concílio de Toledo em 633, reunião na qual Sisenando foi legitimado ao mesmo tempo em que se difamou o destronado. Assim, a metodologia utilizada ajudou a compreender os mecanismos adotados pela Igreja para validar a insurreição, além de analisar as discrepâncias no discurso isidoriano acerca do destituído Suintila. Ao fim, verificou-se em reinados posteriores ao concílio toledano a efetividade da caracterização do soberano como o “ungido do Senhor”, associação essa que tinha como propósito cessar sublevações futuras entre os godos.