Assistência à saúde bucal na população LGBTQIA+
No século XX a odontologia passou por diversos avanços, inicialmente um modelo de saúde higienista, centrado na doença, que precisou se alinhar a uma nova prática odontológica proposta pelo movimento da Reforma Sanitária. O processo de consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), e seus princípios...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | tesis de maestría |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2022 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) |
| Repositorio: | Repositório Institucional da FIOCRUZ (ARCA) |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:arca.fiocruz.br:icict/56663 |
| Acceso en línea: | https://arca.fiocruz.br/handle/icict/56663 |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Pessoas LGBTQIA+ Direitos Humanos Saúde bucal Interseccionalidade Human Rights LGBT Persons Oral Health Intersectionality Minorias Sexuais e de Gênero Saúde Bucal Enquadramento Interseccional Estudos Observacionais como Assunto Investigação Epidemiológica 10 Redução das desigualdades 16 Paz, Justiça e Instituições Eficazes |
| Sumario: | No século XX a odontologia passou por diversos avanços, inicialmente um modelo de saúde higienista, centrado na doença, que precisou se alinhar a uma nova prática odontológica proposta pelo movimento da Reforma Sanitária. O processo de consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), e seus princípios doutrinários e organizacionais, demandou uma reorganização e reestruturação das ações e serviços de saúde bucal, rompendo com práticas obsoletas e técnicas pouco resolutivas que não correspondiam às necessidades da sociedade. Esse estudo surge pela ausência de informação sobre a saúde bucal da população LGBTQIA+ e pelo desmonte da PNSB. O objetivo é analisar a assistência à saúde bucal da população LGBTQIA+, sob a perspectiva do usuário. Foi realizada uma pesquisa epidemiológica observacional do tipo transversal descritivo para conhecer a utilização e dificuldade de assistência à saúde bucal dessa população. Responderam ao questionário online 359 pessoas, sendo elegíveis 329 (91,9%). Dessas 38,0% eram gays, 23,4% lésbicas e 13,4% transgêneros(as). A maioria tinha entre 18 e 39 anos (73,3%) e negros(as) (51,4%). A prevalência de assistência nos cinco anos anteriores a entrevista foi alta (93,7%), em particular nos seis meses anteriores a entrevista (44,7%). A prevalência entre brancos(as) e negros(as) foi similar, mas na população transgênera foi a prevalência mais baixa (88,6%), principalmente nos últimos seis meses (18,2%). Apenas 18,8% dos(as) participantes do estudo foram atendidos na rede pública, mas foi proporcionalmente maior entre os(as) transgêneros(as) (45,5%). A minoria informou ter tido dificuldade de assistência (24,9%), mas foi proporcionalmente maior entre a população transgênera (54,5%), que também teve mais discriminação (13,6%), especialmente por LGBTfobia. A dificuldade de acesso à assistência foi particularmente devido a morosidade ou impossibilidade de agendamento (40,2%) e financeira (22,0%). A perda dentária também foi proporcionalmente maior entre transgêneros(as) (61,4%; p = 0,040). A principal causa informada pelos(as) participantes foi cárie, doença periodontal ou abcesso (29,8%), seguido de má higiene oral, falta de cuidado ou interrupção do tratamento (19,9%). Dentre os que tiveram perda dentária (151), 72,8% foi de menos de cinco elementos (72,8%). A maioria dos(as) participantes informou preferir ser atendido por profissional LGBT (69,0%). A autopercepção da saúde bucal para maioria dos(as) participantes do estudo foi boa ou muito boa (53,2%), bem como para cisgêneros(as) (57,5%), lésbicas (61,0%) e negros(as) (43,7%); mas para os(as) transgêneros(as) foi ruim ou muito ruim (45,5%). O 6estudo contribuiu de forma inédita por contemplar a saúde bucal da população LGBTQIA+. A carência de estudos em outros países e ausência de pesquisas nacionais, reforça e evidencia a invisibilidade na formação profissional e pesquisas em saúde. Premente a promoção e proteção do direito à livre orientação sexual e identidade de gênero que auxiliará no enfrentamento às desigualdades sociais inerentes à saúde da população LGBTQIA+. |
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