Discurso médico-ginecológico em plataformas de mídia social: relações de poder, gênero e Instagram
Considerando o histórico da ginecologia que teve seu surgimento baseado em diferença sexual, hierarquias e regimes de dominação através de saberes médicos vistos como objetivos e racionais, buscamos compreender como esse discurso aparece hoje no Instagram a partir de um olhar comunicacional sobre as...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | tesis doctoral |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2022 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:www.lume.ufrgs.br:10183/250352 |
| Acceso en línea: | http://hdl.handle.net/10183/250352 |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Instagram (Site) Mídias sociais Análise do discurso Communication Gender Medical-gynecological discourse |
| Sumario: | Considerando o histórico da ginecologia que teve seu surgimento baseado em diferença sexual, hierarquias e regimes de dominação através de saberes médicos vistos como objetivos e racionais, buscamos compreender como esse discurso aparece hoje no Instagram a partir de um olhar comunicacional sobre as relações de poder e gênero. O Instagram é entendido como uma plataforma de mídia social que não é neutra, tem objetivos econômicos e relações assimétricas de poder. O gênero é considerado pela sua historicidade, interseccionalidade e materialidade. O problema de pesquisa parte da seguinte questão: De que modo a categoria de gênero é constituída nas relações de poder do discurso médico-ginecológico no Instagram atualmente? O objetivo geral é analisar a categoria de gênero nas relações de poder do discurso médico-ginecológico no Instagram nos dias de hoje. Para ser capaz de explorar esta questão, foram desenvolvidos os seguintes objetivos específicos: a) identificar como são utilizadas as estruturas que permitem ou limitam este tipo de discurso em mídia social; b) reconhecer o sentido multimodalmente construído nas publicações das ginecologistas; c) sistematizar e identificar padrões e rupturas nas interações recebidas nas postagens; d) discutir sobre as relações de poder que perpassam o discurso com foco na categoria de gênero. Considerando tais inquietações, a abordagem metodológica desta pesquisa é Análise de Discurso Mediada por Computador (ADMC), que pode ser utilizada como uma análise de conteúdo com foco na linguagem e que possibilita uma observação quanti-qualitativa do objeto a partir de quatro níveis: Estrutura, Sentido, Interação e Comportamento Social. Foram coletados 88 perfis brasileiros que têm mais de 5 mil seguidores no Instagram através da ferramenta CrowdTangle, pelo termo “gineco”. A partir desses perfis, foram coletadas as publicações do ano de 2021, que resultaram em um total de 16.639 postagens. Para a análise através da ADMC, foram selecionadas as 100 publicações com a maior taxa de interação. Como resultado, percebemos que a maioria das publicações são de fotos únicas sem muitas edições e com pouca legenda, o que era esperado pelo Instagram em sua criação. A maioria das publicações tem teor mais pessoal do que profissional. O assunto mais recorrente foram acontecimentos e datas comemorativas, com destaque também aparecem as publicações sobre fisiologia relacionadas à ginecologia, como menstruação, alterações hormonais, anticoncepcionais e relações sexuais. A intencionalidade mais recorrente é a de expressar sentidos, seguida de apresentação de conteúdos de modo didático. As interações, no geral, aceitam e elogiam as publicações, além de trazerem experiências próprias sobre o conteúdo publicado. Por fim, percebe-se que o gênero ainda é baseado no binarismo oposicional, sem debates além da perspectiva hegemônica cisgênera e hétera. A figura médica é construída através de uma persona pública que busca a legitimação através de estratégias de visibilidade dentro do fenômeno da plataformização. As relações de poder parecem ser baseadas em legitimação e resistência, na busca por um espaço de troca de experiências, mas sem muita visibilidade para a diversidade dos corpos e questões de saúde pública. |
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