Continuidades e descontinuidades: a Arqueologia Aratu-Sapucaí e a história indígena ‘Cayapó’

O artigo busca problematizar as associações diretas e acríticas entre grupos ceramistas da tradição arqueológica Aratu-Sapucaí e grupos conhecidos na documentação como “Cayapó”. Nas regiões dos atuais Triângulo Mineiro, alto Paranaíba, sul de Goiás e norte de São Paulo, a sobreposição espaço-tempora...

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Detalhes bibliográficos
Autores: Asnis, Gabriel Zissi Peres, Mano, Marcel
Tipo de documento: artigo
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2020
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositório:Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia (Online)
Idioma:português
OAI Identifier:oai:revistas.usp.br:article/163394
Acesso em linha:https://revistas.usp.br/revmae/article/view/163394
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Aratu-Sapucaí
Cayapó
Mossâmedes
archaeological traditions
contact history
tradições arqueológicas
história dos contatos
Descrição
Resumo:O artigo busca problematizar as associações diretas e acríticas entre grupos ceramistas da tradição arqueológica Aratu-Sapucaí e grupos conhecidos na documentação como “Cayapó”. Nas regiões dos atuais Triângulo Mineiro, alto Paranaíba, sul de Goiás e norte de São Paulo, a sobreposição espaço-temporal de ocupações de grupos daquela tradição e os mencionados nas fontes fez propor uma continuidade cultural entre povos afastados historicamente. A imagem de uma história linear e de uma cultura fossilizada esqueceu-se que os índios das fontes documentais foram descritos em situação colonial, um ambiente marcado por intensos contatos e disputas de interesses. De fato, tanto dados arqueológicos como documentais insistem em mostrar constantes contatos e transformações. Registros fósseis dessa tradição apontam influências de outras; e registros documentais dos “Cayapó” evidenciam uma complexa e intricada rede de relações com diferentes alteridades. Por isso, tanto a história dos grupos produtores da cerâmica Aratu-Sapucaí como a dos “Cayapó” coloniais não podem ser pensadas como isoladas, mas compostas de fronteiras porosas nas quais se expandiram, se retraíram e se sobrepuseram uma série de agenciamentos. Nessas fronteiras moldadas pelos contatos transitaram em redes não estruturadas pessoas, bens simbólicos, materiais, conhecimentos e técnicas que, por todos os lados e em todas as direções, direta ou indiretamente, impactaram e renovaram tradições. Sob essas condições, artefatos arqueológicos devem ser o registro físico dessas mudanças e não a evidência de uma continuidade. O artigo mobiliza então dados da Arqueologia, da História Indígena e da Antropologia com o propósito de levantar barreiras no trajeto que leva grupos do passado pré-colonial a aterrissarem no contexto colonial, ou vice-versa.