Pontos de encontro entre as obras Мы (Nós) de Zamiátin e Nineteen Eighty-Four (1984) de George Orwell

Nesta Tese, trabalhamos com as obras Мы (Nós) de Ievgueni Zamiátin (2017) e Nineteen Eighty-Four (1984) de George Orwell (2009), à luz da Análise do Discurso (AD), para entendermos quais os pontos de encontros entre ambos os textos. Vale mencionar, desde o início, que os Aparelhos Ideológicos de Est...

Full description

Bibliographic Details
Author: Brito, Camila Faustino de
Format: doctoral thesis
Status:Published version
Publication Date:2025
Country:Brasil
Institution:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Repository:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:www.lume.ufrgs.br:10183/292325
Online Access:http://hdl.handle.net/10183/292325
Access Level:Open access
Keyword:Zamiatin, Ievgueni Ivanovitch, 1884-1937. We : Crítica e interpretação
Orwell, George, 1903-1950. Nineteen eighty-four : Crítica e interpretação
Distopia
Análise do discurso
Мы (We)
Nineteen Eighty-Four (1984)
Conditions of production
Dystopia
Description
Summary:Nesta Tese, trabalhamos com as obras Мы (Nós) de Ievgueni Zamiátin (2017) e Nineteen Eighty-Four (1984) de George Orwell (2009), à luz da Análise do Discurso (AD), para entendermos quais os pontos de encontros entre ambos os textos. Vale mencionar, desde o início, que os Aparelhos Ideológicos de Estado, tanto na obra de Orwell quanto na de Zamiátin, expõem certos interesses que aproximam as práticas políticas do leste e do oeste da Europa. Assim, em ambos os cenários, são manipulados por interesses de regimes totalitários e contrarrevolucionários. Sendo assim, movemos os conceitos de Condições de Produção, com base nos textos presentes em Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio de Michel Pêcheux (2014), bem como nos conceitos de Formações Discursivas, tendo como base metodológica igualmente Pêcheux (2014) e Jean Jacques Courtine (2009), especificamente sua obra Análise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos (2009). Ainda movimentando conceitos materialistas para embasar nossa análise, utilizamos os aportes teóricos presentes em A palavra na vida e a palavra na poesia: ensaios, artigos, resenhas e poemas (2019) e Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem (2018) de Valentin Volochinov, de modo a trabalhar o funcionamento do signo e seu aspecto ideológico. Ademais, para observarmos o funcionamento do conceito de Identificação, fundamentamos nossa análise em Ideologia e aparelhos ideológicos do estado quanto em Sobre a reprodução (1999), ambas obras de Louis Althusser. Nessa esteira metodológica, utilizamos novamente Pêcheux (2014) para movermos os conceitos de Contraidentificação e Desidentificação. Além disso, a fim de caracterizar o gênero distopia, empregamos as concepções presentes em Além do horizonte de George Orwell (2021), abordadas por Becker (2021). E também nos fundamentamos no trabalho Advances in Social Science, Education and Humanities Research (2019), de Zhurkova e Khomutnikova. Ademais, entramos nas materialidades linguístico discursivas mobilizando os conceitos presentes na obra Semântica: enunciação e sentido (2018), de Eduardo Guimarães. Para observamos o funcionamento do conceito de arcaísmo, consultamos mais de uma obra, incluindo: Pontos de Gramática Histórica (1972) de Ismael de Lima Coutinho; Estilística da Língua Portuguesa (1975) de Manuel Rodrigues Lapa; Dicionário de Linguística e Gramática Referente à Língua Portuguesa (1981) de J. Mattoso Câmara Júnior; e As Condições de funcionamento da sinonímia: um olhar para as forças ativas que permeiam a linguagem (2003) de Zandwais. Para abordar as questões relacionadas ao neologismo, buscamos embasamentos nas obras de Lapa (1975); Câmara Júnior (1981); e no texto O Funcionamento da Sinonímia: as impossíveis fronteiras entre estrutura e exterioridade (2007) de Zandwais. Em um batimento entre teoria e prática, entramos nas análises dos recortes selecionados das obras Мы (Nós) e Nineteen Eighty-Four (1984). Nosso objetivo, com isso, é compreendermos o funcionamento do ponto de encontro entre ambas as obras. Essa abordagem busca trazer à tona as articulações subjacentes que conectam os dois textos, possibilitando uma reflexão sobre as interseções discursivas e históricas que permeiam as construções de ambos os textos.