Obtenção e caracterização de nanopartículas poliméricas contendo extrato de própolis vermelha brasileira para investigação da atividade antitumoral em linhagem celular de câncer de ovário

Em meio à alarmante incidência de câncer na população mundial, o câncer de ovário se destaca como uma das neoplasias mais letais. Muitos efeitos colaterais estão associados às terapias convencionais e nenhuma delas é completamente eficaz. Por isso, o desenvolvimento de novos agentes quimioterápicos...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Justino, Isabela Araújo
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-20082025-075206
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/60/60137/tde-20082025-075206/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Brazilian red propolis
Câncer de ovário
Nanopartículas poliméricas
Ovarian cancer
Polymeric nanoparticles
Própolis vermelha brasileira
Descripción
Sumario:Em meio à alarmante incidência de câncer na população mundial, o câncer de ovário se destaca como uma das neoplasias mais letais. Muitos efeitos colaterais estão associados às terapias convencionais e nenhuma delas é completamente eficaz. Por isso, o desenvolvimento de novos agentes quimioterápicos se faz necessário. A própolis é um produto natural com composição fitoquímica complexa, responsável por suas múltiplas propriedades biológicas. O extrato de própolis vermelha brasileira (PVB) possui composição exclusiva com grande potencial para o tratamento do câncer, porém com limitações clínicas como baixa solubilidade em água e curta meia-vida. A encapsulação é uma estratégia farmacotécnica que permite o melhoramento desses parâmetros. O potencial das nanopartículas poliméricas como sistemas de liberação de fármacos e a atividade antitumoral da PVB no câncer de ovário ainda pouco explorada tornam este trabalho inovador. Assim, neste trabalho nanocápsulas poliméricas de ácido polilático (PLA) foram desenvolvidas usando Box Behnken design como ferramenta de planejamento experimental. A PVB foi encapsulada nas nanopartículas otimizadas (NCPVB), que apresentaram diâmetros hidrodinâmicos abaixo de 200 nm, confirmado por técnicas como DLS e NTA, potencial zeta de -7,7 mV e baixo índice de polidispersão. Sua forma esférica e estrutura core-shell foram verificadas por TEM. A análise calorimétrica por DSC sugeriu que a PVB esteja molecularmente dispersa nas nanocápsulas, o que foi confirmado por FTIR. A eficiência de encapsulamento, realizada por UPLC-MS, para os biomarcadores escolhidos (formononetina, biochanina A e vestitol), foi superior a 97%. Em testes com células de câncer de ovário OVCAR-3, as NCPVB apresentaram maior eficácia em comparação à PVB livre, em modelos de cultivo celular 2D e 3D. A PVB, tanto livre quanto nanoencapsulada, levou à morte celular por meio de apoptose, resultado obtido por citometria de fluxo. Ensaios quantitativos e qualitativos, realizados por citometria de fluxo e microscopia confocal, respectivamente, demonstraram uptake de NCPVB. Pela mesma técnica foi possível identificar a parada do ciclo na fase S, induzida por NCPVB. Ainda, as NCPVB também demonstraram maior capacidade de limitar o potencial de proliferação de OVCAR-3 em relação à PVB livre, no ensaio clonogênico. Já a PVB livre foi mais eficaz em diminuir a taxa de migração de OVCAR-3. A investigação do microambiente tumoral mostrou que as NCPVB são eficientes contra bactérias que possuem membrana externa carregada positivamente, como B. cepacia e S. maltophilia. As nanopartículas demonstraram também atividade em biofilme de B. cepacia com a mesma MIC para bactérias sésseis e planctônicas. Por fim, a compatibilidade da formulação de NCPVB com o sangue humano também foi avaliada, uma vez que a via de administração proposta foi a endovenosa. As nanopartículas não causaram hemólise até a concentração de 80 µg/mL, não demonstraram potencial inflamatório e não alteraram o potencial zeta das hemácias, o que foi verificado pelo teste de VHS. No ensaio de ativação do sistema complemento, as nanopartículas foram susceptíveis a opsonização, exibindo tempo de ativação de 12 minutos. No ensaio de burst oxidativo, as NCPVB mostraram atividade antioxidante, diminuindo a geração de ERO, o que se deve à manutenção da atividade antioxidante em 75% verificada por DPPH. No teste de toxicidade aguda in vivo em Galleria mellonella, as nanopartículas não demonstraram toxicidade até a maior dose atingível. Dessa forma, a nanopartícula desenvolvida neste estudo exibiu resultados promissores para ser utilizada futuramente como agente quimioterápico.