| Sumario: | Analisar as concepções de infância, por meio das narrativas icnográficas do século XVII, e articular com as teorias constituídas na atualidade são atos desafiantes e, ao mesmo tempo, instigantes, por essas ações tratarem de elementos históricos e estéticos. Este estudo objetiva refletir sobre a infância ou a ausência dela na pintura do período Barroco, a partir dos quadros que retratam as crianças. Para isso, utilizamos elementos puramente visuais, além de traçarmos um paralelo com a concepção de infância na modernidade. O método adotado foi a a/r/tografia, com base nos estudos de Dias (2013, p. 25), ao explicar que “a a/r/tografia é uma forma de representação que privilegia tanto o texto (escrito), quanto a imagem.” Também fizemos uso de Irwin (2013), que comenta ser essa metodologia consolidada por meio das configurações artísticas textuais. Optamos pelo citado método, pelo fato de trabalharmos com a leitura de imagens, o que torna a arte uma das nossas principais fontes de pesquisa. Contamos, ainda, com o estudo bibliográfico baseado nos escritos de Philippe Ariès (2006) e João dos Santos (1991), sendo este considerado o alicerce histórico e sociológico para desenvolvermos a temática. As reflexões finais apontam que a primazia da arte sobre a imaterialidade do tempo revela-se na mística do movimento da vida e na perpetuação dos fatos históricos, sociais e políticos. Os enfoques contemporâneos de Philippe Ariès e João dos Santos sobre a tônica desta investigação significaram reconhecer que tudo tem uma história e um passado, que deve ser articulado com o presente, na perspectiva de um futuro no qual a infância seja um direito e não um privilégio.
|