Consciência e fenômeno em Sartre: em busca do ser transfenomenal

O presente artigo procura articular as noções de consciência e fenômeno no filósofo Jean-Paul Sartre, nome de destaque do existencialismo francês. A partir da herança da fenomenologia de Husserl, Sartre busca se posicionar sobre a controvérsia entre realistas e idealistas acerca da relação sujeito e...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Belo, Renato dos Santos
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2023
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Lavras (UFLA)
Repositorio:Repositório Institucional da UFLA
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.ufla.br:1/58701
Acceso en línea:https://repositorio.ufla.br/handle/1/58701
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Sartre, Jean-Paul, 1905-1980
Consciência
Fenomenologia
Existência
Consciousness
Phenomenology
Existencialismo
Existentialism
Descripción
Sumario:O presente artigo procura articular as noções de consciência e fenômeno no filósofo Jean-Paul Sartre, nome de destaque do existencialismo francês. A partir da herança da fenomenologia de Husserl, Sartre busca se posicionar sobre a controvérsia entre realistas e idealistas acerca da relação sujeito e objeto e o consequente problema do conhecimento. Às suas costas, Sartre tem as vertentes da filosofia transcendental (Kant e Husserl), que também se posicionaram sobre a querela. O artigo percorre textos do “jovem” Sartre e a “Introdução” de O ser e o nadaa fim de recuperar a singularidade da solução sartreana para o problema do conhecimento. Argumento que essa questão se encontra desde os primeiros textos de Sartre e se confunde com a apropriação feita pelo filósofo da fenomenologia e, sobretudo, do conceito de intencionalidade da consciência, que ganha contornos existenciais. Em O ser e o nada, contudo, a questão sofre uma inflexão decisiva porque se apresenta em seus aspectos ontológicos, ou onto-fenomenológicos, o que aponta para a noção complementar de transfenomenalidade para caracterizar quer o ser da consciência, quer o ser do fenômeno. Tal empreitada exige compreender que toda consciência é relação com o mundo, é ser-no-mundo, o que parece extrapolar os limites originais da fenomenologia em sua relação de continuidade com a filosofia crítica. Proponho que Sartre redimensiona a questão em termos propriamente existenciais, irredutíveis à esfera estrita do conhecimento. Para tanto, o filósofo procura uma síntese criativa oriunda da reelaboração da tradição transcendental, entre o projeto crítico e o projeto fenomenológico.