O desempenho de bilíngues e multilíngues em tarefas de controle inibitório e compreensão auditiva

A aprendizagem e o uso de duas ou mais línguas são experiências capazes de impactar o funcionamento linguístico e cognitivo. Falantes bilíngues e multilíngues precisam selecionar a língua a ser usada e, ao mesmo tempo, suprimir a interferência da língua que não está em uso durante a situação de comu...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Limberger, Bernardo Kolling
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2014
País:Brasil
Institución:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:tede2.pucrs.br:tede/2131
Acceso en línea:http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/2131
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:LINGUÍSTICA
NEUROLINGUÍSTICA
PSICOLINGUÍSTICA
COGNIÇÃO
BILINGUISMO
MULTILINGUÍSMO
COMPREENSÃO DA LÍNGUA FALADA
CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Descripción
Sumario:A aprendizagem e o uso de duas ou mais línguas são experiências capazes de impactar o funcionamento linguístico e cognitivo. Falantes bilíngues e multilíngues precisam selecionar a língua a ser usada e, ao mesmo tempo, suprimir a interferência da língua que não está em uso durante a situação de comunicação, devido à coativação das línguas. Por esse motivo, tem sido constatado que bilíngues/multilíngues podem ter desempenho superior em comparação a monolíngues em tarefas com situações de interferência, principalmente quando há estímulos não linguísticos. Essas tarefas envolvem o controle inibitório e as funções executivas em geral. No caso de tarefas com estímulos linguísticos, os estudos são mais escassos, e os resultados, menos consensuais. No âmbito brasileiro, os efeitos positivos do bilinguismo não têm sido sempre encontrados, sobretudo nos bilíngues falantes da variedade da língua alemã denominada Hunsrückisch. Por esse motivo, o objetivo geral deste estudo é investigar o desempenho de participantes falantes de Hunsrückisch, bilíngues e multilíngues (falantes de alemão padrão com alto nível de proficiência), em comparação com monolíngues, em duas tarefas. A primeira é uma tarefa não linguística, a Attentional Network Task (ANT), e a segunda é uma tarefa linguística, a Tarefa de Compreensão de Frases (TCF), na qual os participantes escutam frases canônicas (voz ativa) e não canônicas (voz passiva) em duas línguas com ou sem a interferência de outra frase. Cinquenta e nove participantes foram divididos em três grupos: monolíngues, bilíngues e multilíngues, compostos por adultos (média de idade = 28,9 anos) residentes principalmente na cidade de São José do Hortêncio (RS). Os participantes preencheram um questionário sobre aspectos linguísticos e cognitivos, realizaram uma tarefa de memória de trabalho e as tarefas supracitadas. Analisamos as variáveis dependentes tempo de resposta e acurácia nas duas tarefas. Os resultados revelaram que na acurácia da tarefa ANT não houve diferença significativa entre os grupos. A diferença ocorreu no tempo que levaram para responder: os multilíngues foram mais rápidos que os monolíngues em todas as condições experimentais na ANT. Os bilíngues também foram mais rápidos que os monolíngues, mas a diferença não foi sempre significativa. Na outra tarefa, a TCF, os monolíngues tiveram, em geral, mais acurácia. Todos os grupos foram mais acurados e rápidos na compreensão de frases canônicas e sem interferência. Não houve diferença entre os grupos nos tempos de resposta globais, ou seja, na totalidade dos resultados. Houve diferença significativa na compreensão de frases não canônicas entre multilíngues e bilíngues ao responderem sobre a frase em Hunsrückisch, com interferência em português. Os resultados mostram que os multilíngues apresentaram uma vantagem sobre monolíngues no processamento executivo com estímulos não linguísticos. Eles parecem possuir uma habilidade mais desenvolvida em responder mais rapidamente na tarefa não linguística, que envolve as funções executivas, e não necessariamente somente no controle inibitório. Na tarefa com estímulos linguísticos, os resultados não foram tão uniformes. Neste estudo, constatamos que, em contexto brasileiro de línguas minoritárias, especialmente o multilinguismo pode proporcionar efeitos positivos na cognição, sobretudo nos tempos de resposta globais.