O vermelho que violenta a ordem: os comunistas sob o olhar da DOPS no Paraná

O presente trabalho analisa os mitos políticos modernos que se formaram na relação entre a Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS/PR) com o comunismo e atividades desenvolvidas pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) no Paraná durante os anos de 1945 a 1953. Ao realizar um trabalho meticuloso de...

Full description

Bibliographic Details
Author: Ipólito, Verônica Karina [UNESP]
Format: doctoral thesis
Status:Published version
Publication Date:2016
Country:Brasil
Institution:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repository:Repositório Institucional da UNESP
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/139464
Online Access:http://hdl.handle.net/11449/139464
Access Level:Open access
Keyword:DOPS/PR
PCB/PR
Mitos políticos
Anticomunismo
Repressão
Political myths
Anticommunism
Repression
Description
Summary:O presente trabalho analisa os mitos políticos modernos que se formaram na relação entre a Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS/PR) com o comunismo e atividades desenvolvidas pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) no Paraná durante os anos de 1945 a 1953. Ao realizar um trabalho meticuloso de vigilância e repressão, a polícia política não somente coletou, registrou e ofereceu dados sobre suspeitos a outros setores ou Delegacias Regionais, mas associou o comunismo a características negativas, atribuiu a seus adeptos um alto grau de periculosidade e identificou na doutrina comunista elementos que supostamente visavam destruir o mundo ocidental e seus valores. Tais características contribuíram para a formação do mito da conspiração comunista, o qual se alimentava da disseminação do medo e da paranoia de que o “inimigo vermelho” poderia estar em todos os lugares, com grande força e blindado por suas características maléficas. A confluência de mitos políticos não ficou restrita ao universo policial. Por outro lado, os próprios comunistas paranaenses se alimentaram de mitos, seja para manter sua própria unidade, existência ou até mesmo para se sentirem motivados na busca pela luta revolucionária. Apesar das adversidades físicas, emocionais e familiares, acreditavase que o papel de revolucionário e a entrega de sua vida em sacrifício trariam recompensas, como o fim da exploração capitalista e a construção de uma sociedade mais justa. Para a escrita do trabalho foram utilizadas fontes de natureza jornalística, entrevistas, depoimentos, relatórios e demais evidências arquivadas no Fundo DOPS do Arquivo Público do Estado do Paraná e Arquivo Pessoal de Teresa Urban. O foco principal se concentrou no esforço de identificar na documentação indícios de mitos políticos modernos, em especial o mito da conspiração comunista e, na sua antítese, as construções mitológicas formuladas no interior do PCB, a exemplo do mito da unidade e do mito da Idade de Ouro. Pessoas comuns, militantes, agentes policiais, todos esses personagens foram analisados de forma a demonstrar que os mitos políticos adquirem roupagens diferenciadas em consonância com o pensamento que se deseja legitimar por um indivíduo, instituição ou grupo.