O óxido nítrico no exalado pulmonar de pacientes submetidos à cirurgia cardíaca

Os pacientes submetidos à cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea (CEC) apresentam reações inflamatórias, desencadeadas por este procedimento e pela isquemia-reperfusão, que acarretam em disfunção pulmonar e lesão do endotélio vascular no pós-operatório. Estes processos relativos à cirurgia c...

ver descrição completa

Detalhes bibliográficos
Autor: Amaral, Livia Arcêncio do
Formato: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2017
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-20102025-175800
Acesso em linha:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17137/tde-20102025-175800/
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Cardiac surgery
Cardiopulmonary bypass
Circulação extracorpórea
Cirurgia cardíaca
Exalado pulmonar
Exhaled breath
Nitric oxide
Óxido nítrico
Descrição
Resumo:Os pacientes submetidos à cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea (CEC) apresentam reações inflamatórias, desencadeadas por este procedimento e pela isquemia-reperfusão, que acarretam em disfunção pulmonar e lesão do endotélio vascular no pós-operatório. Estes processos relativos à cirurgia cardíaca podem alterar a produção e o consumo do óxido nítrico (NO) no pulmão e no endotélio vascular. A análise do gás exalado da via aérea tem sido utilizada para monitorar os possíveis efeitos deletérios da circulação extracorpórea além dos efeitos dos demais procedimentos perioperatórios sobre a estruturas pulmonares, notadamente vasculatura e vias aéreas. Neste estudo foi avaliada a fração exalada de NO (FeNO) de voluntários saudáveis, pacientes submetidos à cirurgia cardíaca (valvopatas e coronariopatas) e cirurgia abdominal nos períodos pré e pós-operatório (1 hora, 12 horas, 24 horas e 48 horas após a extubação). Noventa voluntários foram inclusos no estudo, sendo 37 submetidos à cirurgia para correção de valvopatia, 26 submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio, 12 submetidos à cirurgia abdominal e 15 voluntários saudáveis. A FeNO não diferiu significativamente entre os grupos estudados (p=0,370). A utilização de fármaco contendo inibidor da enzima conversora da angiotensina (IECA) e nitratos por via oral não interferiram na FeNO no pré-operatório (p>0,05). No entanto, a dose de infusão endovenosa de nitroglicerina se correlacionou positivamente com a FeNO nas primeiras 24 horas do pós-operatório. Nos pacientes submetidos a operações cardíacas com CEC, ocorreu redução significativa da FeNO nas primeiras horas de pós-operatório, p=0,004 e p<0,001 respectivamente, o que não foi observado em pacientes submetidos a operações abdominais (p=0,537). Foi observada uma redução significativa na FeNO de pacientes submetidos à cirurgia cardíaca e que apresentaram congestão pulmonar (p<0,001) no pós-operatório. A FeNO de pacientes que apresentaram atelectasia não apresentou a redução significativa (p=0,732) nas primeiras horas do pós-operatório de cirurgia cardíaca como nos outros pacientes estudados. A partir dos resultados encontrados pode-se se concluir que a FeNO de pacientes cardiopatas não difere daqueles de pacientes não cardiopatas e voluntários saudáveis. A utilização por via oral de IECA e nitratos não influenciaram a FeNO pré-operatória. Nos pacientes submetidos à cirurgia cardíaca ocorreu redução da FeNO nas primeiras horas de pós-operatório em comparação aos níveis pré-operatórios. A presença de congestão pulmonar no período pós-operatório de pacientes submetidos à cirurgia cardíaca reduziu os níveis de FeNO nas primeiras horas de pós-operatório e a presença de atelectasia tende a elevar os níveis de FeNO nas primeiras horas de pós-operatório. A infusão endovenosa de nitroglicerina se correlacionou positivamente com os níveis de FeNO no pós-operatório de pacientes submetidos à cirurgia cardíaca.