Henri Michaux e a construção do estilo nas instabilidades do sentido: uma poética de limiares e limites

A poética de Henri Michaux, autor da literatura de expressão francesa contemporânea, apresenta alguns traços recorrentes que imprimem à obra um caráter de diversidade e heterogeneidade relevante e instauram o que denominaremos uma poética de limiares e limites. Trata-se de procedimentos que incidem...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Souto, Andrea Perazzo Barbosa
Tipo de documento: tese
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2009
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositório:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:português
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-30112009-140219
Acesso em linha:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8139/tde-30112009-140219/
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Enunciação
Enunciation
Estilo
Henri Michaux
Poesia e prosa
Poetry and prose
Semiótica
Semiotics
Style
Descrição
Resumo:A poética de Henri Michaux, autor da literatura de expressão francesa contemporânea, apresenta alguns traços recorrentes que imprimem à obra um caráter de diversidade e heterogeneidade relevante e instauram o que denominaremos uma poética de limiares e limites. Trata-se de procedimentos que incidem de maneira direta e/ou indireta em seus textos poéticos, tais como a instabilidade nas fronteiras dos gêneros e a interferência do fantástico e do grotesco na figuração. Com isso, as noções de referência e de representação, de designação e identidade, subjetividade e objetividade enunciativa são desestabilizadas e as relações entre os demais componentes estruturantes da construção do sentido ficam comprometidas. Sua poética gera, então, vários tipos de movimentos que favorecem um alto grau de instabilidade dos sentidos e ocasionam tensões de ordem ora narrativa, ora figurativa, ora enunciativa, passional ou tensiva. Sob a perspectiva da teoria semiótica francesa, a pesquisa intenciona demonstrar de que maneira esses movimentos afetam as modalidades do crer, do parecer e do saber, provocando dúvidas, incertezas, sensação de estranhamento e desconforto no leitor, ao relativizar a visão que normalmente se tem do mundo natural. Esses movimentos, considerados como estratégias discursivas, são operacionalizados de acordo com os modos de presença dos atores da enunciação. Logo, serão tomados como aspectualizações enunciativas, suscetíveis a modulações graduais e tensivas. Considera-se aqui que, examinados numa totalidade discursiva, esses procedimentos concorrem para consolidar efeitos de sentido que contribuem para construir um estilo próprio do autor, um éthos. Para compor o corpus da pesquisa, foram selecionados textos das obras Mes propriétés (1930), La nuit remue (1935), Plume précédé de Lointain intérieur (1938) e Face aux verrous (1954). Para as relações intertextuais estabelecidas entre o autor e Lautréamont, esse corpus inclui ainda textos da obra Os Cantos de Maldoror (1869).