Busca por espécies da classe Thermotogae a partir de fluídos de um reservatório de petróleo onshore com alta temperatura e salinidade
Reservatórios de petróleo são ambientes únicos por apresentarem uma combinação de condições extremas referentes à temperatura, pressão e salinidade, e que sustentam o desenvolvimento de procariotos. Várias espécies dos Domínios Bactéria e Archaea têm sido isoladas deste ambiente, com destaque aos mi...
| Autor: | |
|---|---|
| Tipo de documento: | dissertação |
| Estado: | Versão publicada |
| Data de publicação: | 2015 |
| País: | Brasil |
| Recursos: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositório: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Idioma: | português |
| OAI Identifier: | oai:teses.usp.br:tde-08062015-170145 |
| Acesso em linha: | http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/76/76132/tde-08062015-170145/ |
| Access Level: | Acceso aberto |
| Palavra-chave: | Petrotoga Oil reservoir Petróleo Termófilos Thermophiles |
| Resumo: | Reservatórios de petróleo são ambientes únicos por apresentarem uma combinação de condições extremas referentes à temperatura, pressão e salinidade, e que sustentam o desenvolvimento de procariotos. Várias espécies dos Domínios Bactéria e Archaea têm sido isoladas deste ambiente, com destaque aos microrganismos redutores de sulfato (BRS), metanogênicos e fermentadores. Estes últimos utilizam como fonte de energia uma grande variedade de compostos orgânicos e uma grande parte de seus representantes em reservatórios pertence ao Filo Thermotogae. Estas bactérias apresentam uma estrutura característica envolvendo a célula, semelhante a uma bainha, chamada toga. Alguns gêneros deste Filo são habitantes exclusivos de reservatórios, como por exemplo, o gênero Petrotoga. O presente trabalho teve como objetivo isolar e caracterizar bactérias da classe Thermotogae a partir de fluidos de água/óleo de poços de um reservatório de petróleo localizado na região Nordeste, com vistas a contribuir para o conhecimento da diversidade e metabolismo microbianos deste tipo de ambiente. O reservatório tem salinidade média de 7%, temperatura média de 60ºC, o pH dos fluidos situa-se entre 6,6-6,8, e a profundidade média dos poços é de 1.100 metros. Dois meios propostos na literatura para o cultivo de Petrotoga foram testados para o isolamento deste gênero: meio P-mexicana e meio P. olearia. Os meios foram preparados em anaerobiose, sob atmosfera de N2 e salinidade de 70g/L de NaCl. Inóculos de cultivos pré-existentes em meios enriquecidos foram feitos nestes meios e incubados a 60ºC. Ambos os meios se mostraram seletivos para linhagens de Petrotoga. Os isolados foram identificados pelo sequenciamento do gene RNAr 16S, e um deles, o isolado MG414-03, foi submetido a testes de crescimento sob as variáveis temperatura, salinidade e fonte de carbono. MG414-03 pertence ao gênero Petrotoga, com similaridade de 99,2% com a espécie Petrotoga miotherma. Suas células têm forma de bastonete e são envolvidas por toga; são Gram-negativas; têm comprimento médio de 1,8±0,9 μm e largura média de 0,7±0,1 μm, podendo ser individuais ou formar filamentos. Motilidade foi observada em células individuais e em arranjos de dois. Endósporos não foram observados em nenhuma fase de crescimento. Forma colônias circulares lisas, com borda lisa, transparentes, com diâmetro máximo de 1,0 mm. O isolado apresentou temperatura e salinidade ótimas de 60ºC e 4%, respectivamente. Utiliza glicose, xilose, maltose e sacarose como fontes de carbono, mas não utiliza xilana e carboximetilcelulose (CMC). É inibido pelos antibióticos canamicina e cloranfenicol nas concentrações de 10 μg/mL e 100 μg/mL, respectivamente. As atividades enzimáticas sobre os substratos xilana e carboximetilcelulose (CMC) foram testadas para o isolado MG414-03 e para as linhagens Petrotoga mobilis-DSM10674 e Petrotoga mexicana-DSM14811. O método utilizado foi o ensaio colorimétrico com DNS (Ácido Dinitrossalicílico) e o isolado MG414-03 não apresentou atividade enzimática sobre os substratos testados. Petrotoga mobilis-DSM10674 e Petrotoga mexicana-DSM14811 foram utilizadas como padrões no ensaio pois ambas são descritas como produtoras de xilanases, fato confirmado pelos resultados apresentados no teste. Petrotoga mobilis-DSM10674 apresentou atividade enzimática sobre o CMC, na ordem de 73±18 U/L, fato não registrado na literatura para esta espécie. |
|---|