Personagens do contestado : os turmeiros da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande (1908-1915)

A presente tese objetiva estudar os “turmeiros”, trabalhadores envolvidos na construção da Linha Sul da Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande (1908-1910), especificamente no trecho em que mais tarde ocorreu o Movimento do Contestado (1912- 1916). A historiografia sobre este, via de regra, retrata...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Espig, Marcia Janete
Formato: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2008
País:Brasil
Recursos:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:www.lume.ufrgs.br:10183/14747
Acesso em linha:http://hdl.handle.net/10183/14747
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:História do Brasil
Guerra do Contestado (1912-1916)
República Velha
Movimento político
Conflito social
Camponeses
Estradas de ferro
Movimentos messiânicos
Brasil : História :República velha : 1891-1930
Santa Catarina : História :Guerra do Contestado : 1912-1916
Historiography
Contestado movement
São Paulo
Rio Grande railroad
Brazil railway company
Descrição
Resumo:A presente tese objetiva estudar os “turmeiros”, trabalhadores envolvidos na construção da Linha Sul da Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande (1908-1910), especificamente no trecho em que mais tarde ocorreu o Movimento do Contestado (1912- 1916). A historiografia sobre este, via de regra, retrata tais personagens de maneira depreciativa e sugere sua liderança no conflito. Após um profundo estudo historiográfico, constatou-se que esta representação encontrava-se amparada por única fonte, partindo-se então para a coleta de outros documentos. Os estudos demonstraram que a construção da ferrovia em questão envolveu o uso constante de corrupção e negociatas. Recorreu ainda ao desgastado discurso da modernidade, que não correspondeu à experiência desfrutada pelos moradores locais e pelos construtores, que sofreram as conseqüências de uma intensa exploração. O próprio Movimento do Contestado, se por um lado causou perdas à Companhia, por outro resgatou a ferrovia de um constante déficit, levando-a a um curto período de superávit. Ao aproximar-se o foco investigativo, constatou-se a imprecisão de afirmações categóricas feitas pela historiografia sobre os trabalhadores da construção da Linha Sul. Segundo esta, tratava-se de homens desclassificados, vindos do centro do país e que teriam permanecido na região, tornando-a mais violenta. Os estudos demonstraram que um contingente muito significativo, talvez mesmo a maioria dos trabalhadores, era composto de imigrantes. Parte destes foi trazida especialmente pela Companhia, outros abandonaram temporariamente as regiões coloniais dos estados do sul, especialmente do Paraná, para auferir ganhos provisórios com a construção. Tudo indica que a maioria não permaneceu na região ao final dos trabalhos, que se deu se forma paulatina e possibilitou uma lenta retirada. Questiona-se, desta maneira, a participação em grande número destes homens no Movimento do Contestado, apontando para uma permanência bem menos expressiva que afirma a historiografia. A investigação teve seus pressupostos teóricos tomados da micro-história, através do recorte preciso do objeto, do uso intensivo de fontes e do método indiciário.