Análise do potencial antimalárico de compostos de origem marinha

A malária é uma das principais doenças tropicais, responsável por elevada mortalidade global. A emergência de resistência às terapias de primeira linha acentua a necessidade de descoberta e desenvolvimento de novos agentes terapêuticos. O objetivo deste estudo foi identificar novas fontes de agentes...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Moura, Caio Silva [UNIFESP]
Formato: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Recursos:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNIFESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unifesp.br:11600/74021
Acesso em linha:https://hdl.handle.net/11600/74021
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Marinoquinolinas
Tedania ignis
Mixobactérias
Malária
Resistência
Antimalárico
Marinoquinolines
Mixobacteria
Malaria
Resistance
Antimalarial
3. Saúde e bem-estar
Descrição
Resumo:A malária é uma das principais doenças tropicais, responsável por elevada mortalidade global. A emergência de resistência às terapias de primeira linha acentua a necessidade de descoberta e desenvolvimento de novos agentes terapêuticos. O objetivo deste estudo foi identificar novas fontes de agentes antimaláricos de origem marinha, com potencial para inibir Plasmodium falciparum e Plasmodium vivax. Para isso, compostos de três origens diferentes foram avaliados: (i) compostos sintéticos da classe das marinoquinolinas, (ii) extrato da esponja marinha Tedania ignis e (iii) extratos de mixobactérias marinhas. Os derivados marinoquinolínicos sintéticos foram avaliados em ensaios de inibição do crescimento utilizando o método SYBR Green, demonstrando excelente eficácia tanto em cepas sensíveis quanto resistentes. A marinoquinolina mostrou-se potente, com baixos valores de IC50 (NF54 = 0,15 μM, Dd2 = 0,23 μM, Gt2 = 0,17 μM e Sb1 = 0,12 μM). Ensaios de tempo de ação indicaram uma atividade comparável à cloroquina, apresentando ação rápida sem evolução morfológica do parasito. O estudo do estágio de ação revelou que a marinoquinolina teve melhor desempenho nas formas iniciais, como anel e trofozoíto. Em ensaios de fluorescência no vacúolo do parasita, tanto a cloroquina quanto a marinoquinolina apresentaram perfis semelhantes, desestabilizando o vacúolo digestivo do parasito. A suscetibilidade ex vivo do composto MQ foi testada em isolados de campo obtidos de pacientes da cidade de Porto Velho. Os isolados de P. falciparum exibiram valores medianos de EC50 de 1270 nM para o composto MQ, enquanto os isolados de P. vivax apresentaram valores medianos de EC50 de 531 nM. Estudos de hemólise revelaram uma taxa de hemólise de 0% para a marinoquinolina, indicando excelente segurança. Os testes em P. berghei corroboraram os resultados in vitro, com a marinoquinolina reduzindo 96% da parasitemia no quinto dia pós-infecção, quando administrada oralmente a 50 mg/kg/3dias. Além dos derivados da marinoquinolina, avaliamos o extrato da esponja marinha Tedania ignis, que apresentou atividade inibitória significativa tanto em cepas sensíveis quanto resistentes, com IC50 de 23 μg/mL e 30 μg/mL, respectivamente. Ensaios de tempo de ação demonstraram que o extrato possui ação rápida. Por fim, entre os extratos de mixobactérias avaliados, destacaram-se dois: BRX-05 e BRX-38, com IC50 de 4,8 μg/mL e 0,8 μg/mL, respectivamente. Em conclusão, os compostos de origem marinha testados demonstraram considerável potencial antimalárico, evidenciado pela alta potência, seletividade, rápida ação e significativa atividade inibitória contra cepas resistentes do parasito.