Violência sexual : por que não revelar?

Objetivo: investigar a prevalência de adolescentes e adultos jovens que foram vítimas de violência sexual em algum momento da vida e comparar a presença de sintomas depressivos e/ou ansiosos; qualidade de vida, uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas entre esta população e a que não sofreu abuso. Pa...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Silva, Flávia Calanca da [UNIFESP]
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2020
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNIFESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unifesp.br:11600/60095
Acceso en línea:https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=9467570
https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/60095
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Delitos sexuais
Abuso sexual na infância
Adolescente
Adulto jovem
Revelação
Crime sexual contra as crianças
Revelação da verdade
Denúncia (Direito penal)
Adolescentes maltratados sexualmente
Vítimas de abuso sexual
Sex offenses
Child sexual abuse
Adolescent
Young adult
Disclosure
Child abuse, sexual
Truth disclosure
Denunciation (Criminal law)
Sexually abused teenagers
Sexual abuse victims
Descripción
Sumario:Objetivo: investigar a prevalência de adolescentes e adultos jovens que foram vítimas de violência sexual em algum momento da vida e comparar a presença de sintomas depressivos e/ou ansiosos; qualidade de vida, uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas entre esta população e a que não sofreu abuso. Partindo dos adolescentes e adultos jovens que foram vítimas de abuso em algum momento de suas vidas, buscou-se entender o que os motivou a não revelar a violência sofrida. Métodos: Aplicaram-se questionários e instrumentos validados, em população de estudantes universitários, para avaliar: idade, sexo, nível socioeconômico, comportamento sexual, exposição a eventos traumatizantes (QUESI – presença ou não de violência sexual), sintomas depressivos (BDI) e/ou ansiosos (BAI), qualidade de vida (WHOQOL) e o uso ou abuso de tabaco, álcool e drogas ilícitas (ASSIST). Entrevistas foram conduzidas pelos pesquisadores com 22 indivíduos que foram vítimas de violência sexual (de acordo com o instrumento QUESI) para a obtenção da História Oral sobre o abuso experimentado. Resultados: Dos 858 alunos que responderam à pesquisa, 71 (8,3%) foram vítimas de violência sexual, sendo 52 meninas (73,2%). No grupo vítima de abuso havia mais alunos desfavorecidos economicamente, mais alunos que já tinham tido a coitarca (p=0,029), alunas que já engravidaram (p=0,001), estudantes com maiores escores para sintomas depressivos (p <0.001) e ansiosos (p=0.001), alunos com pior qualidade de vida (p<0.001) e que usavam de maneira abusiva tabaco (p=0.008), maconha (p=0.025) e hipnóticos/sedativos (p=0.048) quando comparado ao grupo não vítima. Vinte e nove episódios de violência foram vividos pelos 22 participantes das entrevistas. Três (10,3%) situações de abuso foram perpetradas por desconhecidos sendo excluídas da análise qualitativa. Das 26 situações de abuso perpetradas por conhecidos das vítimas, quatro (15,4%) nunca foram reveladas; cinco (19,2%), a revelação ocorreu quando o abuso já tinha cessado; oito (30,8%) foram reveladas e/ou detectadas e o abuso cessou; e em nove (34,6%) episódios, apesar da revelação ou detecção, a vítima continuou sendo molestada pelo agressor e nada foi feito. Conclusões: os impactos causados pelo abuso são diversos e afetam, mesmo a longo prazo, a vida dos sobreviventes. As vítimas revelam a violência sofrida, mas não basta a vítima falar, o adulto que recebe a revelação tem que estar apto a ouvir; não basta o adulto ver o abuso, ele precisa querer enxergar. Urge sensibilizar e educar a sociedade em como responder apropriadamente a revelaçãoe/ou detecção da violência sexual. Crianças e adolescentes que são vítimas desta barbárie precisam ser orientadas a revelar o abuso e solicitar ajuda para quantas pessoas forem necessárias até que sejam ouvidos e acolhidos. Abordar o tema e o discutir, amplamente, em todas as esferas da sociedade é forma de mobilizar, sensibilizar, instrumentalizar o coletivo, desmistificando o assunto e chamando atenção para essa importante questão social.