Com Deus não se brinca: o risível no evangelho de Marcos

O objetivo central desta pesquisa é responder à questão: como identificar o riso e o risível nos textos sagrados do NT. Partimos de uma perspectiva de que as narrativas do cristia-nismo primitivo têm sua origem na cultura popular, lugar de encontro de gêneros distintos e de caraterísticas literárias...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: SANTOS, Paulo Sérgio Macedo dos
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2023
País:Brasil
Institución:Universidade Metodista de São Paulo (METODISTA)
Repositorio:Repositório da METODISTA
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.metodista.br:123456789/72
Acceso en línea:https://repositorio.metodista.br/handle/123456789/72
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Evangelho de Marcos
Cristianismo Primitivo
Riso
Risível
Crítica literária
Mark’s Gospel
Early Christianity
Laughter
Laughable/risible
Literary criticism
Ciências Humanas
Descripción
Sumario:O objetivo central desta pesquisa é responder à questão: como identificar o riso e o risível nos textos sagrados do NT. Partimos de uma perspectiva de que as narrativas do cristia-nismo primitivo têm sua origem na cultura popular, lugar de encontro de gêneros distintos e de caraterísticas literárias irreconciliáveis. Marcos ao inaugurar o gênero “evangelho’ aponta em sua narrativa, dependente da cultura popular, todos os elementos necessários par se contar uma boa estória. O riso, no entanto, para ser identificado nas narrativas pre-sentes no texto marcano carece das contribuições da neurolinguística, da psicanálise, da filosofia da história e da crítica literária. Este trabalho se preocupa tanto em construir os caminhos que o risível fez na história da cultura cristã, bem como sua diabolização na Ida-de Média, assim como este era visto por pelas três principais culturas que influenciaram na construção do cristianismo. Em Marcos, os elementos que o identificam como produção da cultura popular são visíveis nas formas e elementos que constroem a narrativa. Esse texto impregnado de “cansaço”, de aliterações, é também possuidor de ironias e sarcasmo, como um autêntico produto do encontro de universos distintos e da união de estilos e gêneros igualmente distintos. Neste ambiente de encontro, no qual barreiras sociais são transpostas, os gêneros literários são imbricados, coexistindo mutuamente, destituindo de sentido as dicotomias artificialmente impostas. Ultrapassado este limite imposto por uma leitura tra-dicional dos textos sagrados, principalmente dos que foram canonizados, escapando da tradicional interpretação de que o riso nada mais é que uma falha moral, este surge como elemento substancial para a compreensão tanto das narrativas existentes no Evangelho de Marcos, bem como elemento formador e originário do cristianismo. A solidificação do cristianismo como padrão religioso, acabou por diabolizar este riso e, permitindo-o apenas por escárnio ao demônio visto que a ideia medieval era de que Cristo nunca riu. Isso foi necessário para que o cristianismo surgisse como força dominadora e que colaborasse para a ideia de divisão maniqueísta da realidade imposta pelas dicotomias sério/risonho; al-to/baixo; grotesco/sublime; sagrado/profano, isentando a literatura de contato com a reali-dade do entorno. Realidade de fala, de influencias culturais e linguísticas e de povo. Isen-tar o sagrado do riso foi uma alternativa para impô-lo como religião.