Atividade educativa para o desenvolvimento de competências culturais de enfermeiras(os) que atuam na saúde indígena na Amazônia paraense
Introdução: A diversidade sociocultural na Amazônia brasileira requer dos profissionais da saúde competências culturais. No entanto, a assistência de enfermagem não difere entre os povos indígenas e não indígenas, a formação profissional e permanente é verticalizada e centrada na operacionalização d...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | tesis doctoral |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2020 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:teses.usp.br:tde-24022021-110713 |
| Acceso en línea: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7139/tde-24022021-110713/ |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Assistência à saúde culturalmente competente Competência cultural Cultural Competency Culturally competent care Enfermagem Transcultural Ethno-nursing Etnoenfermagem Health of indigenous peoples Saúde de populações indígenas Transcultural nursing |
| Sumario: | Introdução: A diversidade sociocultural na Amazônia brasileira requer dos profissionais da saúde competências culturais. No entanto, a assistência de enfermagem não difere entre os povos indígenas e não indígenas, a formação profissional e permanente é verticalizada e centrada na operacionalização dos serviços e as competências exigidas na saúde indígena são de natureza técnico-assistencial. Objetivo geral: Desenvolver, implementar e avaliar uma atividade educativa mediada pelos Círculos de Cultura para o desenvolvimento de competências culturais críticas com enfermeiras(os) que atuam na saúde indígena do DSEI Guatoc no estado do Pará. Método: Estudo de intervenção, de enfoque qualitativo com triangulação na obtenção, análise e avaliação dos dados. Utilizou-se os Círculos de Cultura como itinerário de pesquisa no desenvolvimento da atividade educativa. Realizaram-se cinco encontros na CASAI Icoaraci, CASAI e Polo de Marabá e sete encontros na CASAI e Polo Paragominas. Participaram dezenove enfermeiras(os) que atuavam mais de um ano nos serviços e não estavam afastadas do trabalho por qualquer motivo. A investigação iniciou após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem da USP. Os resultados do perfil das(os) participantes e do instrumento de autoavaliação foram lançados no programa Microsoft Excel, versão 2007, para análise descritiva. Os dados qualitativos foram organizados pela versão livre do software Atlas Ti e analisados segundo a hermenêutica-dialética. Resultados: A maioria das(os) participantes era constituída por mulheres, nortistas, negras e pardas, casadas; formada(o) em Instituições de Ensino Superior privadas; tinha especialização em Saúde Indígena e vínculo empregatício celetista. A autoavaliação não mostrou resultados tendenciosos a respostas socialmente aceitáveis, o que demonstra possível autoavaliação crítica e reflexiva. Emergiu na atividade educativa, mediada pelos círculos de cultura, na investigação temática, o tema gerador dificuldade de comunicação; na tematização, a interculturalidade funcional; e na problematização percebeu-se que ao analisar das situações-problemas as(os) participantes desenvolveram uma transitividade de consciência e produziu-se uma cartilha idiomática. Discussão: O conhecimento regulação é norteador da atuação das(os) participantes, mas durante os Círculos de cultura apresentaram uma transitividade de consciência, especialmente no domínio cognitivo dos atributos sensibilização/consciência e conhecimento cultural, pois manifestaram reflexão, crítica e mobilização no sentido de interconhecimento, reconhecimento e autoconhecimento, apontando para uma aproximação com a Ecologia de saberes e do conhecimento emancipação. Conclusão: Por meio da atividade educativa, mediada pelos círculos de cultura, apreendeu-se que o desenvolvimento de competências culturais na perspectiva crítica é um processo educativo dialogado, coletivo, colaborativo, insurgente e permanente que considera os domínios afetivo, cognitivo e comportamental, que interseccionam aos atributos do desejo, sensibilização/consciência, conhecimento, habilidades e encontros culturais, mas que também compreende a dimensão política da atuação da(o) enfermeira(o) que lê, codifica e interpreta o contexto histórico, social e cultural em que está inserida(o), ressignificando seus saberes, práticas e cuidado do outro e de si. Potencial de impacto da pesquisa: Ressignificar o cuidado e a atuação da(o) enfermeira(o) na saúde de povos tradicionais; contribuir para a teoria de enfermagem transcultural ao abordar as competências culturais a partir do paradigma crítico; impactar na educação permanente de enfermagem ao articular a dimensão profissional com a dimensão sociopolítica como proposta de processo educativo que considera as zonas de conflitos culturais do cotidiano de enfermeiras(os) que atuam em contexto de diversidade sociocultural; produzir um instrumento inédito de autoavaliação das competências culturais de enfermeiras(os) que atuam na saúde indígena. E por fim, produzir inovação por meio de uma tecnologia assistencial que possibilitou o exercício do trabalho coletivo e colaborativo e promoveu a interlocução idiomática do universo cultural indígena com os profissionais de saúde. |
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