A expansão geográfica das academias de ginástica e musculação na RMSP: biopolítica, consumo estético e usos do território

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) se caracteriza, no início do século XXI, como um território permeado por diversas problemáticas decorrentes dos processos históricos, sociais, econômicos, políticos e culturais que resultam em grandes deslocamentos pendulares para a classe trabalhadora, con...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Rocha, Lucas Miranda da
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2019
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-20022020-151654
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-20022020-151654/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Academias de ginástica
Aesthetic consumption
Biopolítica
Biopolitics
Consumo estético
Gym clubs
RMSP
Uses of the territory
Usos do território
Descripción
Sumario:A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) se caracteriza, no início do século XXI, como um território permeado por diversas problemáticas decorrentes dos processos históricos, sociais, econômicos, políticos e culturais que resultam em grandes deslocamentos pendulares para a classe trabalhadora, congestionamentos, poluição e uma profunda desigualdade socioterritorial. Todos esses elementos contribuem para o agravamento da percepção da qualidade de vida na metrópole, à qual se associam questões ligadas à saúde, ao desempenho com o trabalho, às demais atividades da vida, à alimentação e à estética corporal. Em meio a este cenário, as academias de ginástica e musculação surgiram rapidamente no território como objetos capazes de atender aos anseios das pessoas com relação à saúde, à qualidade de vida e à estética. Ademais, um conjunto novo de elementos constituintes do universo fitness compõem a cadeia produtiva do setor, como a suplementação alimentar, clínicas de estética, moda fitness, entre outros. Em virtude disso, o objetivo da pesquisa é compreender os fundamentos da acelerada expansão geográfica das academias de ginástica e musculação na RMSP, no início do século XXI, bem como a consolidação do universo fitness nos usos do território. A pesquisa adota uma abordagem dialética, que se debruça em compreender a totalidade do fenômeno e considera as contradições, contrarracionalidades e o irredutível no processo. A triangulação de métodos é adotada como caminho para a superação de dicotomias, trabalhando com análises conjuntas de elementos quantitativos e qualitativos, promovendo a interdisciplinaridade na investigação e dialogando com um conjunto teórico-conceitual de diferentes áreas do conhecimento, o qual está ancorado no entendimento do espaço geográfico como um conjunto indissociável de sistemas de objetos e ações (SANTOS, 2012a [1996]). No Capítulo 1, introduzimos a temática da pesquisa e detalhamos os caminhos teórico-metodológicos utilizados. No Capítulo 2, apresentamos o panorama da Nova Vida Urbana e a Qualidade de Vida na RMSP, abordando os desdobramentos que a metropolização de São Paulo causou na saúde da população, os aspectos relacionados à comensalidade urbana contemporânea, à globalização da alimentação e os elementos que constituem a produção e o consumo da estética corporal idealizada. No Capítulo 3, nos aprofundamos em investigar o desenvolvimento da corporeidade, bem como o processo de expansão das academias e o universo fitness. Contextualizamos a expansão frente aos processos de financeirização do território, a concentração e centralização de capital, analisando números globais da indústria fitness, bem como elementos que envolvem a cadeia produtiva e a regulação do território. No Capítulo 4, nos debruçamos em analisar os dispositivos biopolíticos que permeiam a disciplina e o controle dos corpos, resultando no aumento da produtividade capitalista, no estímulo à supervitalidade e no relaxamento de normas morais, favorecendo a ampla prática de atividades físicas no território. Por fim, analisamos as políticas públicas que promovem exercícios em espaços públicos e privados, conjugando ações entre Estado e empresas.