Associação do aleitamento materno exclusivo e uso de bicos artificiais com variáveis pré e pós-natais: estudo de coorte

O aleitamento materno exclusivo (AME) durante os seis primeiros meses de vida do bebê é importante para um desenvolvimento ideal. Por sua vez, o uso de bicos artificiais é frequentemente apontado como um estimulador do desmame precoce. Devido à escassez de estudos longitudinais sobre a duração do AM...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Melo, Letícia Santos Alves De
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2022
País:Brasil
Institución:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/217481
Acceso en línea:http://hdl.handle.net/11449/217481
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Aleitamento materno
Chupetas
Mamadeira
Gravidez
Breast Feeding
Pacifiers
Nursing Bottles
Pregancy
Descripción
Sumario:O aleitamento materno exclusivo (AME) durante os seis primeiros meses de vida do bebê é importante para um desenvolvimento ideal. Por sua vez, o uso de bicos artificiais é frequentemente apontado como um estimulador do desmame precoce. Devido à escassez de estudos longitudinais sobre a duração do AME e do uso de bicos artificiais e seus determinantes, especialmente daqueles com acompanhamento desde a gestação, os objetivos deste trabalho foram: a) investigar a prevalência do AME e sua associação com a intenção materna de amamentar (IMA) e outras variáveis de interesse (Publicação 1); b) determinar a prevalência e os fatores associados com o uso de chupeta e mamadeira por lactentes com até seis meses de vida (Publicação 2). Um estudo de coorte foi conduzido com mulheres grávidas no 3º trimestre de gestação (baseline), acompanhadas após o parto até os seis meses de vida do bebê (follow-up). A coleta de dados no baseline, realizada mediante entrevista e questionário, envolveu 653 gestantes que realizaram pré-natal em uma maternidade pública de direito privado, situada na região central do estado de São Paulo, Brasil. Foram coletados dados sobre: características sociodemográficas e gestacionais; informações sobre o aleitamento materno (AM); pretensão de ofertar chupeta e mamadeira; e IMA — utilizando a escala Infant Feeding Intentions (IFI), traduzida, testada e adaptada para o português do Brasil. Após o parto, as participantes foram contatadas por ligações telefônicas no primeiro (T1; n=467), terceiro (T3; n=333), e sexto (T6; n=217) mês de vida do bebê ou até o desmame, para coletar informações sobre o AM, parto, características do bebê, familiares e hábitos orais. Análises de associação foram realizadas utilizando modelos de regressão logística com um nível de significância de 5%, tendo como desfechos o AME (Publicação 1) e o uso de chupeta e mamadeira (Publicação 2). As prevalências de AME encontradas foram 81,2% em T1, 64,0% em T3, e 35,9% em T6. As variáveis associadas ao AME em T1, T3 e T6 foram: não uso de mamadeira (OR=612,59; OR=139,08; OR=15,05) e o não uso de chupeta (OR=2,94; OR=2,78; OR=2,93). Forte IMA (OR=1,71) em T1; baixo peso ao nascer (OR=1,62), suporte nos cuidados com o bebê (OR=2,59), idade materna (OR=0,54), ter um companheiro (OR=1,82) em T3; e não ter retornado ao trabalho (OR=2,39) em T6 também estiveram associadas ao AME (Publicação 1). Com relação ao uso de bicos artificiais, 52,5% dos bebês acompanhados usaram mamadeira, 48,2% chupeta e 33,4% ambos os dispositivos, respectivamente, durante os 6 primeiros meses. Não morar em residência própria (OR=1,53) e ter pretensão gestacional de ofertar chupeta para o bebê (OR=2,50) estiveram associados ao uso de chupeta. As variáveis associadas ao uso de mamadeira foram o retorno da mãe ao trabalho (OR=2,48), baixo peso do bebê ao nascer (OR=1,58) e a pretensão de usar mamadeira (OR=2,51) (Publicação 2). Conclui-se, portanto, que a prevalência do AME foi maior no primeiro mês e apresentou declínio até o sexto mês de vida dos bebês. A IMA influenciou a iniciação do AME e a ausência de mamadeira foi o mais forte preditor do AME. Já a prevalência do uso de chupeta e/ou mamadeira foram altas e estiveram associadas à pretensão pré-natal de oferecer esses dispositivos e a fatores socioeconômicos. Sendo assim, é importante a criação de estratégias para favorecer a construção de conhecimento entre gestantes sobre os benefícios do AME e os riscos do uso de chupeta e mamadeira para a saúde do bebê.