Epidemiologia da giardíase e de geohelmintoses como doenças tropicais negligenciadas em três municípios da Zona da Mata Mineira

Doenças tropicais negligenciadas (DTNs), assim classificadas pela Organização Mundial de Saúde, constituem um grupo de infecções praticamente eliminadas no mundo desenvolvido, mas que persistem em áreas pobres de países de baixa renda. Dentre elas estão a ascaridíase, a tricuríase e a ancilostomíase...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Pinheiro, Izabella de Oliveira
Formato: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2010
País:Brasil
Recursos:Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Repositorio:Repositório Institucional da UFJF
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:hermes.cpd.ufjf.br:ufjf/2659
Acesso em linha:https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/2659
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::MEDICINA
DTNs
Epidemiologia
Geohelmintoses
Giardíase
NTDs
Epidemiology
Giardiasis
Soil-transmitted helminthiasis
Descrição
Resumo:Doenças tropicais negligenciadas (DTNs), assim classificadas pela Organização Mundial de Saúde, constituem um grupo de infecções praticamente eliminadas no mundo desenvolvido, mas que persistem em áreas pobres de países de baixa renda. Dentre elas estão a ascaridíase, a tricuríase e a ancilostomíase, cujos agentes etiológicos têm parte de seu ciclo evolutivo passando pelo solo, e são, por isso, denominadas de geohelmintoses. Recentemente, a giardíase também foi incluída como DTN, uma vez que sua forma de transmissão pode ser associada com falta de saneamento. Este estudo transversal de base populacional visou à investigação da ocorrência dessas parasitoses em três municípios do sudeste de Minas Gerais. Para tanto, 2367 indivíduos foram selecionados aleatoriamente. Os dados foram obtidos por meio de um questionário estruturado acerca das condições socioeconômicas, ambientais e culturais da população amostral e do exame de uma única amostra fecal de cada participante, pelo método de sedimentação espontânea (HPJ). Para cada amostra fecal foram examinadas cinco lâminas, e concluiu-se que o exame de três lâminas por amostra expressou a melhor relação custo-benefício para o SUS. A análise dos resultados mostrou que 6,1% (n=145) da população amostral estava infectada com uma ou duas DTNs. Dentre os indivíduos infectados, as prevalências observadas para ancilostomídeos, G. lamblia, T. trichiura e A. lumbricoides foram 47,3%, 27,3%, 16,0% e 9,3%, respectivamente. Na análise bivariada dos dados (p<0,05; IC 95%), o teste do Qui-quadrado de Pearson foi usado para avaliar a força das possíveis associações entre as variáveis independentes e o desfecho. Na análise de regressão logística, quatro variáveis permaneceram estatisticamente significantes, sugerindo serem os possíveis fatores de risco para as DTNs nos municípios: o destino inadequado do esgoto (p<0,001), o hábito de beber água não potável (p<0,001), a falta de instalação sanitária adequada (p=0,015) e pertencer ao sexo masculino (p<0,001). Os resultados encontrados neste estudo nos permitem concluir que DTNs estão presentes mesmo em regiões mais desenvolvidas do Brasil. O número de pessoas parasitadas confirma a área como de baixa endemicidade para geohelmintoses e giardíase em relação a outras regiões do Estado, e justifica estudos que avancem no conhecimento do perfil epidemiológico da região e subsidiem o desenvolvimento de políticas públicas locais.